Duilio Monteiro Alves vira réu em investigação sobre uso de cartão corporativo no Corinthians
- Redação InfoTimão
- há 15 minutos
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Ex-presidente do Timão é acusado pelo Ministério Público de utilizar recursos do clube para despesas pessoais durante sua gestão entre 2021 e 2023

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tornou Duilio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, réu pelo crime de apropriação indébita. A acusação aponta que o dirigente teria utilizado o cartão de crédito corporativo do clube para pagar despesas pessoais durante sua gestão à frente do Timão, entre 2021 e 2023.
A denúncia foi recebida pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal de São Paulo, que entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para o prosseguimento da ação penal.
A informação foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo e confirmada pelo InfoTimão.
Ministério Público aponta despesas pessoais pagas com recursos do Corinthians
De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, o cartão corporativo do Corinthians teria sido utilizado em uma série de despesas sem relação com as atividades institucionais da presidência.
Entre os gastos mencionados na investigação estão pagamentos realizados em:
restaurantes
lojas de aeroporto e freeshops
hotéis
salão de cabeleireiro
lojas de roupas
bebidas alcoólicas e cigarros
aquisição de vinhos
Segundo o Ministério Público, as despesas não teriam ligação com as funções oficiais da presidência, cargo que no Corinthians não é remunerado.
Após análise das faturas, a promotoria apontou um prejuízo estimado de R$ 41.822,62 aos cofres do clube, valor já atualizado com correção monetária.
Além da restituição desse montante, o MP-SP solicitou que o ex-presidente pague R$ 31.366,96 de indenização por danos materiais ao Corinthians.
Período com mais de R$ 80 mil em gastos chamou atenção da investigação
Uma das frentes da investigação envolve despesas registradas entre 26 de setembro e 31 de outubro de 2023, período em que teriam sido identificadas movimentações que ultrapassam R$ 80 mil em cerca de 40 dias.
As faturas analisadas pelo Ministério Público abrangem o intervalo entre maio de 2021 e dezembro de 2023.
Em depoimento prestado ao MP em novembro de 2025, Duilio afirmou ter utilizado aproximadamente R$ 1.300 do cartão corporativo do Corinthians.
Justiça aceita denúncia, mas rejeita medidas cautelares
Apesar de aceitar a denúncia e tornar o ex-presidente réu, a juíza responsável pelo caso não acolheu parte das medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público.
Entre os pedidos negados estão:
bloqueio de bens
quebra de sigilo bancário e fiscal
restrições de viagem
monitoramento eletrônico
proibição de contato com testemunhas
Na decisão, a magistrada entendeu que não há elementos suficientes que indiquem risco ao andamento do processo, motivo pelo qual as medidas não foram aplicadas neste momento.
Com o recebimento da denúncia, Duilio deverá ser citado pela Justiça e terá prazo de dez dias para apresentar resposta à acusação por meio de advogado.
Após essa etapa, o processo seguirá para a fase de instrução, com audiências, depoimentos de testemunhas, interrogatórios e produção de provas.
Ex-gerente financeiro do Corinthians também virou réu
O processo também inclui Roberto Gavioli, ex-gerente financeiro do Corinthians, denunciado por suposta participação no crime de apropriação indébita.
Segundo o Ministério Público, ele teria deixado de exercer a fiscalização adequada sobre as faturas e autorizações de pagamento, função que fazia parte de suas responsabilidades no departamento financeiro do clube.
Gavioli já havia sido denunciado em outro processo relacionado ao uso de cartões corporativos durante a gestão do ex-presidente Andrés Sanchez.
Investigação sobre cartões corporativos amplia crise política no Corinthians
A denúncia contra Duilio faz parte de uma investigação mais ampla conduzida pelo Ministério Público de São Paulo sobre o uso de cartões corporativos em gestões recentes do Corinthians.
O inquérito foi aberto em agosto de 2025 e analisa despesas realizadas durante os mandatos de:
Andrés Sanchez (2018 a 2020)
Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023)
No caso de Andrés, a investigação aponta gastos pessoais que podem ultrapassar R$ 480 mil, envolvendo suspeitas de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e crimes tributários.
A Justiça chegou a determinar medidas cautelares contra o ex-presidente, incluindo restrições de contato com integrantes da atual diretoria do clube.
Posteriormente, o Ministério Público apontou possível descumprimento dessas determinações e solicitou o endurecimento das restrições, incluindo monitoramento eletrônico.
Outras movimentações financeiras também estão sob investigação
Além do uso do cartão corporativo, o Ministério Público também apura movimentações financeiras consideradas atípicas nas contas do Corinthians nos últimos anos.
Entre os pontos investigados estão:
pagamentos em espécie superiores a R$ 3,4 milhões a um ex-funcionário do clube
valores entregues sem emissão de notas fiscais
suspeitas de uso de empresas de fachada para justificar despesas
Outra linha de investigação aponta que um ex-motorista ligado à gestão de Duilio teria recebido mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro ao longo de três anos.
Defesa de Duilio Monteiro Alves afirma confiar no processo judicial
Procurado, o ex-presidente se manifestou por meio de nota assinada pelo advogado Lucas Lopes Knupp.
Segundo a defesa, o recebimento da denúncia representa o início formal da ação penal, momento em que os fatos passarão a ser analisados com garantia de contraditório e ampla defesa.
A defesa também destacou que a Justiça indeferiu pedidos do Ministério Público, como quebra de sigilo bancário, bloqueio de bens e outras medidas restritivas. De acordo com a nota, os advogados afirmam confiar que todos os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.
Caso também pode gerar punições internas no Corinthians
Além da investigação criminal, o caso envolvendo o uso de cartões corporativos também motivou apurações internas dentro do Corinthians.
Dependendo das conclusões dos órgãos do clube, os ex-dirigentes investigados podem sofrer sanções no âmbito associativo, que incluem desde suspensão até eventual expulsão do quadro social.
O InfoTimão segue acompanhando os desdobramentos do caso e trará novas atualizações conforme o avanço das investigações e das decisões judiciais envolvendo ex-dirigentes do clube.


