Duda Sampaio expõe dificuldades internas após vice; jogadoras cobram reação do Corinthians

Capitã diz que problemas extracampo “pesam”; Vic divide responsabilidade pelo resultado, enquanto Andressa Alves e Tamires apontam falta de eficiência

O vice-campeonato do Brasileirão Feminino abriu espaço para uma das manifestações mais fortes do elenco do Corinthians sobre os problemas enfrentados ao longo da temporada. Depois do empate por 1 a 1 com o São Paulo, neste sábado (3), no Morumbis, Duda Sampaio admitiu que as dificuldades extracampo acumuladas durante o ano passaram a pesar sobre as jogadoras, citou momentos de salário atrasado, mudança de treinador e cobranças recorrentes dentro do clube.
Capitã das Brabas na decisão, a meio-campista afirmou que o elenco tentou preservar o campo dos problemas externos, mas reconheceu que existe um limite para sustentar essa separação. Em outra resposta, ao ser questionada sobre uma possível sensação de desamparo, Duda disse que as atletas precisam “brigar por alguma coisa todos os dias” e lembrou que o futebol feminino historicamente exige posicionamento público para conquistar melhores condições.
As declarações foram dadas após o Corinthians empatar por 1 a 1 no Morumbis e ficar com o vice do Brasileirão Feminino. O São Paulo havia vencido a ida por 2 a 1 na Neo Química Arena e confirmou o título com 3 a 2 no placar agregado.
Além de Duda, Vic Albuquerque, Andressa Alves e Tamires falaram depois da decisão. As atletas dividiram a responsabilidade pelo resultado, reconheceram problemas de eficiência ofensiva e reforçaram que o grupo terá pouco tempo para absorver a derrota antes de voltar suas atenções para a Libertadores Feminina.
Duda Sampaio admite peso das dificuldades internas no Corinthians
Questionada sobre uma temporada marcada por situações diferentes das enfrentadas pelo Corinthians em anos anteriores, Duda reconheceu que o acúmulo de problemas passou a ter impacto sobre o elenco.
Segundo a capitã, as atletas procuraram durante todo o período impedir que as questões extracampo interferissem diretamente no desempenho esportivo.
“Com certeza. Eu acho que chega um momento que as coisas pesam. A gente sempre tentou levar isso da melhor maneira, tentando não deixar entrar dentro de campo e acho que foi positivo, a gente conseguiu fazer isso”, afirmou.
Na sequência, Duda citou de maneira direta algumas das dificuldades.
“Teve momentos de salário atrasado, momento de mudança de treinador e a gente estava lá trabalhando diariamente para conseguir chegar nos jogos e fazer o melhor pelo Corinthians.”
A avaliação, porém, mudou de tom quando a jogadora tratou do desgaste acumulado.
“Mas acho que, como eu disse, chega um momento que as coisas começam a acontecer e a gente precisa ter atenção nisso. É um ponto muito importante, é conseguir ver o que está acontecendo e resolver.”
A fala se soma à manifestação de Emily Lima depois da final. A treinadora também admitiu que o cenário político e financeiro vivido pelo Corinthians interfere no planejamento do futebol feminino, principalmente no momento de buscar reforços.
Duda, contudo, procurou separar as dificuldades do compromisso do elenco.
A capitã ressaltou que, apesar das adversidades, enxerga um grupo unido para enfrentar a reta final da temporada.
“Eu tenho certeza que, falando individualmente, mas como grupo, a gente está muito fechada. Essa reta final mostrou muito isso aqui dentro do elenco. E agora, num momento difícil, a gente precisa realmente mostrar ainda mais o que é um elenco fechado, o que é um grupo.”
“Todos os dias a gente tem que brigar por alguma coisa”
A declaração de maior peso institucional veio quando Duda foi perguntada se a percepção de parte da torcida de que o futebol feminino estaria desamparado dentro do clube correspondia ao que as atletas vivem internamente.
A meio-campista não confirmou diretamente o termo utilizado na pergunta, mas descreveu uma rotina de cobranças frequentes.
“É difícil porque a gente vê um clube tão vencedor como o Corinthians e diariamente a gente tem que brigar por alguma coisa todos os dias”, afirmou.
Segundo Duda, o grupo tenta evitar que essas situações interfiram no trabalho por meio de diálogo e cobranças.
“Chega um ponto, como eu disse anteriormente, que as coisas afetam e a gente tenta o máximo possível não deixar isso acontecer. Trabalhar, conversar, cobrar.”
A camisa 27 ampliou a reflexão para além da realidade atual do Corinthians e relacionou o cenário à própria história de desenvolvimento da modalidade.
“Acho que o futebol feminino sempre foi isso. A gente sempre teve que dar a cara a tapa, teve que aparecer, teve que cobrar publicamente para que as coisas acontecessem.”
Para Duda, os avanços conquistados ao longo dos últimos anos não eliminam a necessidade de continuar reivindicando melhores condições.
“É difícil porque é um momento onde um clube muito vitorioso como é o Corinthians e a gente sempre tem que voltar na mesma coisa e voltar em cobranças. Mas, como eu disse, eu acho que faz parte. O futebol feminino é isso e a gente não pode deixar de cobrar.”
A capitã ainda lembrou o trabalho realizado pelas atletas que a antecederam para destacar que as condições atuais são melhores justamente porque outras gerações também batalharam por avanços.
“A gente tem muitas melhorias, mas a gente precisa continuar fazendo isso para que no futuro também seja assim.”
Confira as entrevistas das atletas na zona mista:
Duda cobra mais consistência e tranquilidade nas finalizações
Apesar das declarações sobre os bastidores, Duda não atribuiu o vice aos problemas extracampo.
Quando questionada sobre a quantidade de oportunidades desperdiçadas e a dificuldade do Corinthians para reagir em partidas nas quais sai atrás do placar, a meio-campista fez uma autocrítica essencialmente esportiva.
Para ela, o trabalho precisa reproduzir com maior intensidade nos treinamentos as situações de pressão encontradas em partidas decisivas.
“O principal ponto é no treinamento. A gente precisa tentar trazer essa pressão, esse momento diariamente, porque é totalmente diferente você treinar uma finalização separada no treino e chegar no jogo. Não é a mesma coisa.”
Duda também pediu maior consistência durante as partidas, especialmente nos momentos imediatamente posteriores aos gols.
“Acho que, de modo geral, não só nas finalizações, a gente precisa ser um pouquinho mais consistente quando toma um gol e quando faz um gol.”
Ela utilizou o próprio empate contra o São Paulo como exemplo. Depois de Juliete fazer 1 a 1 no primeiro tempo, o Corinthians viveu um período positivo, mas não conseguiu sustentar a pressão de maneira contínua.
“Quando a gente empatou, a gente sentiu um momento positivo e a gente precisa conseguir continuar nessa pressão.”
No aspecto individual, Duda também destacou a importância de trabalhar o componente mental para que as jogadoras consigam ter mais tranquilidade quando chegam às situações de definição.
A leitura coincide com um dos principais diagnósticos feitos por Emily Lima. A treinadora afirmou na coletiva que o Corinthians vem sofrendo com oportunidades desperdiçadas e chegou a dizer que sente falta de uma jogadora com maior poder de definição no elenco.
Duda evita entrar em debate sobre permanência de Emily Lima
A pressão sobre Emily Lima também chegou à coletiva das jogadoras.
Questionada sobre as críticas dirigidas à treinadora e os pedidos de parte da torcida por uma mudança no comando, Duda evitou tomar posição sobre uma eventual permanência ou saída.
Segundo a capitã, decisões dessa natureza cabem à diretoria.
“Acho que é a direção que tem que pensar nessas coisas.”
Duda afirmou que a responsabilidade das atletas permanece a mesma independentemente de quem estiver no comando.
“O nosso trabalho é, como eu disse, diariamente entregar pro clube. Independente de quem esteja à frente, a gente precisa se fechar como atleta, como elenco ali para não deixar com que as coisas atrapalhem.”
A meio-campista reconheceu as dificuldades apresentadas durante o Brasileirão, mas preferiu não fazer uma avaliação pública sobre a situação da comissão técnica.
“Eu sei que estamos tendo dificuldade nos jogos, não só hoje na final, mas durante o Brasileiro. Mas é algo que não cabe a mim falar.”
Para Duda, a prioridade agora é reorganizar o ambiente e direcionar as energias para a próxima competição.
“Só acho que a gente precisa, de alguma forma, tentar melhorar as coisas, tentar colocar tudo no lugar para que a gente faça uma grande Libertadores e busque o primeiro título do ano.”
Vic divide responsabilidade pelo pênalti de Zanotti
O pênalti desperdiçado por Gabi Zanotti no segundo tempo naturalmente esteve entre os principais assuntos depois da decisão.
Vic Albuquerque foi direta ao afastar qualquer tentativa de atribuir o vice exclusivamente à camisa 10.
“Todas têm responsabilidade. Não só ela”, afirmou.
Na avaliação da atacante, o resultado pertence ao grupo que esteve em campo. Por isso, Vic rejeitou a ideia de que Zanotti precisasse ser tratada como a única jogadora a ser consolada depois da partida e ressaltou que todo o elenco estava abatido com a perda do título.
A atacante reforçou ainda a necessidade de uma mudança rápida de foco.
“A gente tem que virar a chave. Já já tem uma Libertadores aí pela frente, mas está todo mundo chateado.”
A manifestação segue a mesma linha adotada por Emily Lima. A treinadora revelou que Zanotti pediu desculpas depois da partida, mas destacou o comprometimento da atleta e afirmou que comissão e elenco estão ao lado da camisa 10.
Andressa Alves aponta oportunidades desperdiçadas
Andressa Alves também recusou uma avaliação de que o Corinthians tenha feito uma partida ruim no Morumbis.
A atacante explicou que a estratégia passava por pressionar o São Paulo e buscar o resultado necessário para reverter a vantagem construída pelo adversário no primeiro jogo.
Ainda tentando processar o resultado, Andressa avaliou que o Corinthians conseguiu executar parte do planejamento, mas voltou a esbarrar na falta de eficiência.
“Acho que a gente não fez um jogo ruim. Acho que a gente não soube aproveitar as oportunidades que tivemos.”
A vantagem obtida pelo São Paulo na Neo Química Arena também influenciou a dinâmica da decisão. Enquanto o Corinthians precisava buscar a vitória, a equipe tricolor podia administrar o empate e encontrar espaços em contra-ataques.
Andressa resumiu que as Brabas buscaram o segundo gol, mas não conseguiram marcar novamente, permitindo que o São Paulo confirmasse o título com a igualdade no Morumbis.
A atacante também valorizou o público presente no estádio e relacionou a atmosfera da decisão ao crescimento do futebol feminino.
“Muito legal pro futebol feminino a gente ver a evolução que está tendo”, afirmou.
Tamires: “Não fomos eficientes como a gente gostaria”
Tamires apresentou diagnóstico semelhante.
A lateral, que começou a decisão no banco depois de sofrer uma torção no tornozelo esquerdo no primeiro jogo da final, destacou as oportunidades construídas pelo Corinthians no Morumbis.
“Tivemos chances novamente, mas não fomos eficientes como a gente gostaria”, afirmou.
Na avaliação da camisa 37, a falta de aproveitamento acabou pesando diretamente sobre o resultado da decisão.
Questionada sobre qual teria sido o fator determinante para o Corinthians perder o Brasileirão, Tamires evitou resumir a final a um único lance ou problema.
“Eu acho que quando você perde o campeonato não tem um ponto assim preponderante. A gente lutou até o final, a gente tentou de todas as formas trazer esse título pro Corinthians, mas infelizmente não aconteceu. Então temos que seguir.”
A resposta reforça a linha apresentada pelo grupo ao longo do pós-jogo: reconhecer erros e oportunidades desperdiçadas sem concentrar a responsabilidade do vice em um único episódio.
“Hoje a gente sentiu muito essa derrota”
O abatimento das jogadoras também apareceu com clareza nas declarações de Tamires.
Ao mandar uma mensagem à torcida, a lateral não tentou minimizar o impacto emocional do resultado.
“A gente está muito triste por ter perdido.”
Segundo ela, o elenco precisará encontrar rapidamente uma forma de se recuperar, mas o momento imediatamente posterior à final ainda era de frustração.
“Hoje a gente sentiu muito essa derrota. A gente queria muito ter ganhado.”
Tamires, entretanto, lembrou que o calendário não oferecerá muito espaço para lamentação. O elenco se reapresentará na quarta-feira para começar a preparação para a Libertadores.
“Somos atletas, somos profissionais, trabalhamos no futebol e vamos precisar, no dia da apresentação, na quarta-feira, estarmos preparadas para treinar e para a Libertadores.”
A competição continental começa para o Corinthians no dia 15 de outubro, contra o Colo-Colo, no Equador.
Vice expõe problemas esportivos e extracampo antes da Libertadores
As entrevistas depois da decisão deixaram duas linhas bastante claras.
Dentro de campo, Duda Sampaio, Andressa Alves e Tamires reconheceram que o Corinthians criou oportunidades, mas não foi eficiente o suficiente para transformar sua produção em gols. Vic, por sua vez, fez questão de distribuir a responsabilidade pelo resultado entre todo o elenco e afastar qualquer tentativa de transformar o pênalti de Gabi Zanotti no único motivo para o vice.
Fora dele, a fala de Duda adicionou uma camada mais profunda ao momento das Brabas.
A capitã deixou claro que o elenco tentou blindar o desempenho esportivo de questões como salário atrasado, mudança no comando técnico e cobranças internas, mas admitiu que o acúmulo das dificuldades acaba tendo peso. Ao mesmo tempo, evitou utilizar esse cenário como justificativa para a perda do título.
Essa será uma das equações que o Corinthians precisará resolver em pouco tempo.
O elenco terá poucos dias para recuperar o desgaste físico e emocional, enquanto clube, comissão e jogadoras precisarão reorganizar o ambiente para uma competição na qual as Brabas carregam novamente expectativa de título.
O Brasileirão terminou com uma frustração difícil de absorver. A Libertadores, porém, já está próxima e, pelas próprias palavras das atletas, a resposta terá que começar muito antes de a bola voltar a rolar.
O InfoTimão acompanha a preparação do Corinthians para a Libertadores Feminina e traz as principais informações, bastidores e repercussões das Brabas na reta final da temporada.






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