Crise no política no Corinthians se agrava: Pantaleão relata pressão, Tuma Jr. rejeita reunião e caso chega ao MP-SP
- Redação InfoTimão
- há 3 dias
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Presidente da Comissão de Ética sofre pressão, Conselho contesta convocação de Stabile e Ministério Público passa a acompanhar o caso
A crise política no Corinthians ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira, 20 de março de 2026. O presidente da Comissão de Ética, Leonardo Pantaleão, passou a ser alvo de pressão e até ameaças para dar andamento ao pedido de afastamento de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Gazeta Esportiva e confirmadas pela apuração do InfoTimão.
A escalada do conflito também chamou a atenção do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que passou a acompanhar o caso e avalia incluir o episódio em um inquérito que investiga a possibilidade de uma eventual intervenção judicial no clube.
Crise se intensifica após convocação de Stabile e expõe disputa de poder
Os novos desdobramentos surgem na esteira da decisão de Osmar Stabile de convocar uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior.
Como mostrou o InfoTimão em matéria anterior, a convocação foi marcada para o dia 23 de março e abriu um novo foco de tensão no Parque São Jorge, sendo contestada por aliados de Tuma Jr. e membros do próprio Conselho.
A partir desse movimento, a crise interna ganhou escala e passou a envolver diferentes frentes dentro da estrutura política do clube.
Pressão sobre Pantaleão trava avanço do pedido de afastamento
Segundo apuração, conselheiros alinhados à diretoria executiva vêm pressionando Leonardo Pantaleão para dar andamento ao pedido de impeachment de Romeu Tuma Jr.
Apesar das cobranças, o presidente da Comissão de Ética não demonstrou, até o momento, disposição para avançar com o processo.
Sem essa iniciativa, o andamento do pedido se torna incerto, já que o trâmite depende diretamente da condução interna da Comissão.
Estatuto do Corinthians gera impasse e coloca reunião em dúvida
O caso também levanta questionamentos sobre o cumprimento do Estatuto do clube.
O artigo 81 estabelece que cabe ao Conselho Deliberativo julgar membros do próprio órgão e demais instâncias da administração.
Já o artigo 82 determina que reuniões extraordinárias só podem ser convocadas por:
Presidente do Conselho Deliberativo
CORI
Conselho Fiscal
Ou por requerimento de ao menos 50 conselheiros
Neste último caso, o presidente do Conselho teria até 30 dias para convocar a reunião. A divergência na interpretação desses dispositivos está no centro do impasse político atual.
Tuma Jr. e Pantaleão rejeitam convocação e falam em irregularidade
Em meio à crise, Romeu Tuma Júnior e Leonardo Pantaleão divulgaram uma nota conjunta contestando a validade da reunião convocada por Osmar Stabile.
No documento, os dirigentes afirmam que a medida não respeita o Estatuto do clube e apontam irregularidade no ato.
Segundo o texto, a convocação teria sido feita por autoridade sem competência, o que comprometeria sua validade jurídica.
Os dois também afirmam que não há, neste momento, reunião regularmente constituída do Conselho Deliberativo para os próximos dias, o que coloca em dúvida a realização do encontro previsto.
Reunião pode não acontecer e cenário segue indefinido
Mesmo com edital publicado prevendo a votação para a próxima segunda-feira, no Parque São Jorge, a realização da reunião ainda é incerta.
O entendimento de membros do Conselho é de que o encontro pode ser questionado ou até mesmo barrado com base nas regras estatutárias.
A indefinição amplia a tensão política e abre espaço para novos desdobramentos.
Ministério Público acompanha caso e cita possível intervenção no clube
A crise ultrapassou o ambiente interno do Corinthians e passou a ser monitorada pelo Ministério Público de São Paulo.
O promotor Cássio Roberto Conserino encaminhou uma representação à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social solicitando a inclusão do conflito no inquérito que apura a possibilidade de intervenção judicial no clube.
No documento, o promotor menciona a convocação da reunião para afastamento de Tuma Jr. e levanta suspeitas sobre a regularidade do procedimento.
O entendimento apresentado é de que os episódios recentes podem configurar possíveis irregularidades administrativas e caminham na mesma direção de uma eventual intervenção judicial.
Inquérito ganha novo elemento em meio à crise política
O inquérito em andamento no MP-SP foi instaurado anteriormente para apurar questões relacionadas à gestão do clube.
Agora, o conflito entre Stabile e Tuma Jr. passa a ser considerado mais um elemento dentro desse contexto, ampliando o nível de gravidade institucional do cenário enfrentado pelo Corinthians.
Origem da crise envolve acusação de ameaça e disputa interna
A tensão entre os dirigentes ganhou força no início de março, durante reunião do Conselho Deliberativo que discutia a reforma do Estatuto.
Na ocasião, uma discussão entre Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior gerou um tumulto que interrompeu a votação.
O presidente do clube acusa o dirigente de ter feito uma ameaça durante o episódio, o que é negado por Tuma Jr.
Desde então, o conflito evoluiu para uma disputa aberta nos bastidores do Parque São Jorge.
Crise aberta: próximos dias serão decisivos no Corinthians
Com pressão interna, questionamentos estatutários e agora acompanhamento do Ministério Público, o Corinthians vive um dos momentos políticos mais delicados de 2026.
A definição sobre a realização da reunião, o avanço do processo disciplinar e possíveis desdobramentos jurídicos devem marcar os próximos capítulos da crise.
O InfoTimão segue acompanhando de perto todos os bastidores do Corinthians, com apuração responsável, contexto e informação de qualidade para a Fiel Torcida.


