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Corinthians lidera ranking de dívidas do futebol brasileiro; veja os valores

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Redação InfoTimão
há 40 minutos
9 min de leitura

Painel da Anresf aponta passivo de R$ 2,76 bilhões ao fim de 2025; clube também recebeu advertência por pagamentos em atraso


Bandeira do Corinthians com escudo do clube na Neo Química Arena, em São Paulo.
Bandeira do Corinthians na Neo Química Arena, em São Paulo. Foto: Anderson Romão / AGIF / Folhapress

O Corinthians lidera o ranking de endividamento entre os 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, de acordo com o novo painel financeiro divulgado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), responsável pela fiscalização das regras de Fair Play Financeiro no país.


Segundo o levantamento, o Timão encerrou 2025 com um passivo de aproximadamente R$ 2,76 bilhões, à frente de Atlético-MG, com R$ 2,66 bilhões, e São Paulo, com R$ 2,45 bilhões. Os dados consideram as demonstrações financeiras das equipes em 31 de dezembro do ano passado e foram divulgados nesta quarta-feira (21), inicialmente pelo ge.


Somados, os clubes das duas principais divisões nacionais acumulavam cerca de R$ 25 bilhões em passivos, sendo R$ 22,08 bilhões referentes às equipes da Série A e outros R$ 2,92 bilhões aos integrantes da Série B.


A liderança corinthiana exige, entretanto, uma distinção importante: o valor apresentado pela Anresf representa o passivo registrado no levantamento e não significa que todo o montante esteja vencido ou precise ser quitado imediatamente.


A agência também acompanha separadamente os compromissos de curto prazo e os pagamentos efetivamente atrasados.


Esse segundo indicador ganha relevância diante das dificuldades recentes enfrentadas pelo Corinthians para cumprir obrigações relacionadas a direitos de imagem, transferências de jogadores e compromissos tributários, algumas delas já analisadas pelos órgãos responsáveis pela aplicação das regras de sustentabilidade financeira.


Corinthians tem maior passivo entre os clubes analisados no futebol brasileiro


O Corinthians ocupa a primeira posição do levantamento, seguido por Atlético-MG, São Paulo, Botafogo e Palmeiras, que completam o grupo dos cinco clubes mais endividados do futebol brasileiro.


Entre os quatro primeiros, todos apresentam passivos superiores a R$ 2 bilhões. O Palmeiras, quinto colocado, aparece com aproximadamente R$ 1,58 bilhão.


Na outra extremidade da tabela está o CRB, com R$ 900 mil, enquanto o Mirassol apresenta o menor passivo entre os clubes da Série A, com R$ 11 milhões.


No caso do Corinthians, os R$ 2,76 bilhões apontados pela Anresf representam um valor próximo, mas não idêntico, ao divulgado anteriormente pelo próprio clube. As demonstrações financeiras referentes ao encerramento de 2025 apresentaram dívida bruta de aproximadamente R$ 2,723 bilhões.


A diferença não deve ser interpretada automaticamente como aumento ou redução do endividamento. Embora os indicadores utilizem o mesmo período como referência, a comparação depende dos critérios de composição, consolidação e classificação empregados em cada levantamento.


Ao longo de 2026, os balancetes divulgados pelo Corinthians passaram a indicar um endividamento total próximo de R$ 2,8 bilhões, reforçando a dimensão dos compromissos acumulados pelo clube.



Dívida total não significa pagamentos imediatamente vencidos


A liderança do Corinthians no ranking geral também não significa que o clube possua o maior volume de obrigações com vencimento nos próximos meses.


No recorte de curto prazo, que considera os compromissos classificados para pagamento em até 12 meses, o Atlético-MG aparece com a maior dívida entre as equipes analisadas, de aproximadamente R$ 1,36 bilhão.


A diferença entre os indicadores é fundamental para compreender a situação financeira dos clubes. Enquanto o passivo total reúne as obrigações registradas contabilmente, o passivo de curto prazo corresponde àquelas exigíveis dentro dos 12 meses seguintes à data do balanço. Já os pagamentos em atraso representam compromissos que ultrapassaram seus respectivos vencimentos sem a devida regularização.


Portanto, um clube pode apresentar endividamento elevado sem que todas as suas obrigações estejam imediatamente vencidas. Da mesma forma, uma equipe com passivo total inferior pode enfrentar dificuldades mais urgentes de liquidez caso concentre grande parte dos pagamentos no curto prazo.


É justamente essa capacidade de manter compromissos em dia que integra o monitoramento de solvência realizado pela Anresf.


Corinthians recebeu advertência da Anresf por pagamentos em atraso


Além dos dados sobre endividamento, a Anresf disponibilizou informações referentes à regularidade dos pagamentos dos clubes, incluindo decisões tomadas pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do Sistema de Sustentabilidade Financeira.


Na janela de verificação realizada em 31 de julho de 2026, com data de corte em 30 de junho, o Corinthians declarou possuir obrigações vencidas perante outros clubes, atletas e autoridades públicas, em sua maior parte relacionadas a compromissos assumidos antes deste ano.


O caso foi analisado pela Segunda Turma de Julgamento da Anresf em sessão realizada em 2 de outubro de 2026.


Durante o processo, o Corinthians comprovou a quitação de parcelas devidas a um clube brasileiro e de um crédito relacionado a atleta. Entretanto, a agência considerou insuficientes as comprovações apresentadas sobre uma compensação alegada com outro clube e uma repactuação envolvendo jogador.


Diante desse cenário, a Turma reconheceu parcialmente a infração e aplicou advertência pública ao passivo remanescente anterior a 2026 e aos débitos tributários assumidos neste ano.


A decisão também afastou a necessidade de aplicação de uma restrição condicional ao registro de atletas que havia sido proposta em relação a uma obrigação posteriormente comprovada como quitada.


Para as pendências remanescentes, a Anresf recomendou a regularização dos compromissos anteriores a 2026 até 30 de novembro e dos débitos tributários deste ano até 31 de outubro, com apresentação das comprovações na janela de novembro.


A advertência não representa, por si só, a imposição de um novo transfer ban ao Corinthians. As consequências de eventuais descumprimentos posteriores dependem da natureza das obrigações, dos prazos regulamentares e de novas análises da agência.


Direitos de imagem e CNRD ampliam pressão sobre o Corinthians


A fiscalização ocorre em um momento de dificuldades financeiras que já vinham sendo acompanhadas pelo InfoTimão.


Nesta semana, o Corinthians completou três meses consecutivos de atraso nos direitos de imagem do elenco masculino, com pendências referentes a julho, agosto e setembro.


A obrigação mensal com essa rubrica é estimada em aproximadamente R$ 10 milhões. Diferentemente dos salários registrados em carteira, os direitos de imagem são pagos por meio de contratos específicos, mas também estão sujeitos ao acompanhamento de solvência previsto nas regras do Fair Play Financeiro.


Outra frente envolve a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).


Foi a segunda prestação consecutiva não quitada dentro da negociação. A parcela anterior, vencida em julho, já havia provocado uma restrição ao registro de novos jogadores aplicada pela CNRD.


O clube também enfrenta outras duas restrições impostas pela Fifa, totalizando três transfer bans em vigor.


Embora essas pendências ajudem a dimensionar o cenário de inadimplência, as punições da CNRD e da Fifa não devem ser confundidas com a advertência aplicada pela Anresf. Cada procedimento possui fundamentos, regras e consequências próprias.


Atrasos com a União também exigem atenção


Na esfera tributária, o Corinthians enfrenta dificuldades para manter em dia o acordo firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).


Conforme revelou o InfoTimão, o clube acumulou R$ 27,3 milhões em quatro parcelas atrasadas da transação tributária, referentes aos vencimentos de junho, julho, agosto e setembro.


A negociação, formalizada em fevereiro de 2026, reorganizou uma dívida que anteriormente alcançava aproximadamente R$ 1,2 bilhão, estabelecendo condições para o pagamento de cerca de R$ 679 milhões.


Apesar dos atrasos, a PGFN informou que o acordo permanece vigente e regular neste momento. A falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas constitui uma hipótese de rescisão prevista na negociação, mas não provoca automaticamente seu encerramento.


Esse esclarecimento é particularmente importante diante da nova fiscalização da Anresf. A existência de prestações vencidas não significa, por si só, que a transação com a União tenha sido rescindida ou que todas as pendências tributárias recebam necessariamente a mesma classificação para fins de Fair Play Financeiro.


O clube segue buscando uma solução para regularizar os compromissos e preservar os benefícios obtidos na renegociação.


Apenas seis clubes da Série A declararam estar sem pagamentos atrasados


O quadro de inadimplência identificado pela Anresf não se limita ao Corinthians.


Dos 20 clubes da primeira divisão, somente Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino informaram não possuir pagamentos vencidos na janela com data de corte em 30 de junho de 2026.


Considerando também as equipes da Série B, apenas 15 dos 40 clubes analisados declararam estar sem obrigações em atraso.


Os dados evidenciam que a implementação das novas regras acontece em um ambiente no qual parte significativa do futebol brasileiro enfrenta dificuldades para cumprir compromissos financeiros.


A agência já publicou decisões envolvendo diferentes equipes, incluindo Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo, com determinações para regularização de determinadas dívidas e possibilidade de aplicação de restrições ao registro de atletas em caso de descumprimento.


Essas medidas decorrem da análise individual das obrigações e não do simples posicionamento dos clubes no ranking de endividamento.


Fair Play Financeiro terá nova etapa a partir de novembro


O Sistema de Sustentabilidade Financeira estabelece regras para acompanhar a capacidade dos clubes de cumprir suas obrigações, incluindo pagamentos relacionados a transferências, atletas, funcionários e autoridades públicas.


As equipes precisam apresentar periodicamente declarações sobre a existência ou inexistência de pagamentos vencidos. A próxima janela está prevista para 30 de novembro de 2026, considerando informações financeiras com data de referência em 30 de outubro.


A proximidade dessa etapa ganha importância porque o regulamento também estabelece um período de adaptação para determinadas obrigações assumidas antes de 1º de janeiro de 2026.


Até 30 de novembro, as pendências abrangidas por esse regime transitório ficam sujeitas exclusivamente à aplicação de advertências. Com o encerramento da transição, dívidas antigas que permaneçam em situação incompatível com as regras poderão expor os clubes a outras sanções previstas no sistema.


Para obrigações assumidas a partir de janeiro de 2026, o regulamento já prevê a possibilidade de aplicação das medidas sancionatórias correspondentes, conforme as características de cada caso.


Isso não significa que o Corinthians sofrerá automaticamente uma nova punição ao término de novembro. A eventual aplicação de sanções dependerá de verificações específicas, incluindo a existência de obrigações vencidas, sua regularização, possíveis renegociações e as condições estabelecidas pelo regulamento.


No caso corinthiano, a mudança amplia a importância das medidas adotadas pela diretoria para reorganizar o fluxo de pagamentos e reduzir a exposição do clube a novas restrições.


Déficit acumulado e caixa reduzido ampliam desafio financeiro


A necessidade de adequação às regras de sustentabilidade ocorre enquanto os demonstrativos financeiros do Corinthians continuam apresentando resultados negativos.



Naquele momento, o clube apresentava menos de R$ 9 milhões em caixa e equivalentes, enquanto o passivo circulante superava R$ 1,1 bilhão.


O capital circulante líquido negativo, calculado pela diferença entre ativos e passivos circulantes, aproximava-se de R$ 663,4 milhões, indicando que as obrigações classificadas no curto prazo superavam os recursos e direitos registrados para realização no mesmo período.


Esses números não significam que todos os pagamentos de curto prazo estejam vencidos, mas ajudam a demonstrar a necessidade de administrar simultaneamente compromissos correntes, dívidas renegociadas e obrigações acumuladas de exercícios anteriores.


Com o novo painel da Anresf, essa realidade passa a ser observada também em comparação direta com os demais clubes das duas principais divisões nacionais.


Veja o ranking completo das dívidas dos 40 clubes das Séries A e B


O levantamento da Anresf considera os passivos apresentados nas demonstrações financeiras referentes a 31 de dezembro de 2025.


Confira a classificação completa, em ordem decrescente de endividamento:


  1. Corinthians: R$ 2,76 bilhões

  2. Atlético-MG: R$ 2,66 bilhões

  3. São Paulo: R$ 2,45 bilhões

  4. Botafogo: R$ 2,01 bilhões

  5. Palmeiras: R$ 1,58 bilhão

  6. Cruzeiro: R$ 1,36 bilhão

  7. Internacional: R$ 1,27 bilhão

  8. Flamengo: R$ 1,26 bilhão

  9. Santos: R$ 1,23 bilhão

  10. Vasco: R$ 1,10 bilhão

  11. Fluminense: R$ 1,04 bilhão

  12. Grêmio: R$ 936 milhões

  13. Red Bull Bragantino: R$ 772 milhões

  14. Sport: R$ 422 milhões

  15. Vitória: R$ 408 milhões

  16. Bahia: R$ 407 milhões

  17. Athletico-PR: R$ 405 milhões

  18. Náutico: R$ 292 milhões

  19. Fortaleza: R$ 291 milhões

  20. América-MG: R$ 283 milhões

  21. Avaí: R$ 268 milhões

  22. Ponte Preta: R$ 240 milhões

  23. Ceará: R$ 217 milhões

  24. Coritiba: R$ 185 milhões

  25. Vila Nova: R$ 175 milhões

  26. Chapecoense: R$ 174 milhões

  27. Novorizontino: R$ 167 milhões

  28. Goiás: R$ 114 milhões

  29. Botafogo-SP: R$ 89 milhões

  30. São Bernardo: R$ 77 milhões

  31. Athletic: R$ 72 milhões

  32. Londrina: R$ 60 milhões

  33. Atlético-GO: R$ 42 milhões

  34. Cuiabá: R$ 40 milhões

  35. Remo: R$ 37 milhões

  36. Criciúma: R$ 37 milhões

  37. Juventude: R$ 29 milhões

  38. Mirassol: R$ 11 milhões

  39. Operário-PR: R$ 4,2 milhões

  40. CRB: R$ 900 mil


A disponibilização dos dados amplia a transparência sobre a situação financeira dos clubes brasileiros e permite acompanhar não apenas o tamanho dos passivos, mas também a capacidade das instituições de cumprir suas obrigações.


Para o Corinthians, a liderança no ranking evidencia a dimensão de um desafio que vai além da redução do endividamento acumulado. Em meio aos atrasos registrados durante 2026 e à ampliação das regras de fiscalização, a reorganização do fluxo de caixa e a regularização dos compromissos vencidos tornam-se fundamentais para evitar novas restrições financeiras e esportivas.


O InfoTimão seguirá acompanhando as decisões da Anresf, os demonstrativos financeiros e as medidas adotadas pela diretoria do Corinthians diante das novas exigências de sustentabilidade.


E você, torcedor: como avalia a situação financeira do Corinthians e os desafios impostos pelo Fair Play Financeiro? Deixe sua opinião nos comentários.


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InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

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