top of page

Corinthians prevê impacto de quase meio bilhão com fim das bets e vê risco em outras receitas

Foto do escritor: Redação InfoTimão
Redação InfoTimão
há 2 horas
7 min de leitura

Projeção considera ao menos R$ 480 milhões vinculados à Esportes da Sorte entre 2027 e 2029; clube também acompanha possíveis reflexos em publicidade e transmissão


Corinthians prevê impacto de quase meio bilhão de reais com restrição de bets.
Corinthians prevê impacto de quase meio bilhão de reais com restrição de bets. Foto: Fernando Bueno / Corinthians

O Corinthians projeta um impacto de pelo menos R$ 480 milhões em receitas previstas até 2029 após o fim das casas de apostas no Brasil. O cálculo considera valores vinculados ao contrato com a Esportes da Sorte, patrocinadora máster do clube, nas próximas três temporadas completas do acordo: 2027, 2028 e 2029.


A informação foi divulgada inicialmente pelo Meu Timão e confirmada pelo InfoTimão. Internamente, os R$ 480 milhões são tratados como o volume mínimo de arrecadação do atual vínculo colocado em risco pela mudança na legislação.


O número pode crescer. O contrato renovado em fevereiro prevê remunerações adicionais e bônus ligados ao cumprimento de metas, incluindo conquistas esportivas. Por outro lado, a eventual contratação de um novo patrocinador máster poderá compensar parte da receita que deixa de estar assegurada.


A preocupação ganhou uma nova dimensão após a publicação da Medida Provisória 1.394/2026, na última sexta-feira (25). O texto proíbe em território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, alcançando apostas esportivas e jogos on-line.


Como mostrou o InfoTimão, a medida atinge diretamente a presença da Esportes da Sorte no uniforme do Corinthians e determina a retirada dos sinais de patrocínio dentro do período de transição estabelecido pelo Governo Federal.


Agora, além de substituir a marca presente na principal propriedade comercial da camisa, o Corinthians precisa reorganizar um planejamento que previa receitas da atual patrocinadora até dezembro de 2029.


Corinthians calcula impacto mínimo de R$ 480 milhões


O principal impacto já quantificado está diretamente relacionado ao patrocínio máster.

Em fevereiro, o Corinthians renovou o contrato com a Esportes da Sorte até o fim de 2029, ampliando significativamente os valores recebidos pela exposição da marca.


O acordo garante ao clube ao menos R$ 150 milhões por temporada, considerando valores fixos e outras entregas asseguradas. Com bonificações e metas esportivas, o montante poderia alcançar R$ 200 milhões por ano.


O contrato anterior, assinado em 2024, era de R$ 309 milhões por três temporadas, média de R$ 103 milhões anuais.


A renovação representou, portanto, um salto relevante nas receitas comerciais do Corinthians e passou a integrar o planejamento financeiro para os próximos exercícios.


Com o novo cenário, a projeção interna apurada é de ao menos R$ 480 milhões em receitas do vínculo atual ameaçadas entre 2027 e 2029.


Esse número não deve ser interpretado automaticamente como um prejuízo líquido de R$ 480 milhões.


O espaço máster da camisa continuará sendo uma propriedade comercial do Corinthians e poderá ser negociado com uma empresa de outro segmento. O impacto efetivo dependerá justamente da capacidade da diretoria de substituir a Esportes da Sorte e dos valores que conseguirá obter no mercado.


Valor pode superar a marca de quase meio bilhão


Os R$ 480 milhões representam uma referência mínima diante das possibilidades previstas no atual acordo.


Além das verbas asseguradas, o contrato possui bonificações associadas ao desempenho esportivo e outras entregas que podem elevar a receita.


No melhor cenário, o Corinthians poderia alcançar R$ 200 milhões por temporada com a Esportes da Sorte.


Conquistas de títulos, por exemplo, aumentariam o faturamento previsto no vínculo.


Por isso, o potencial econômico originalmente projetado para as três últimas temporadas do contrato poderia superar os R$ 480 milhões utilizados atualmente como referência.


Ao mesmo tempo, qualquer novo contrato firmado para ocupar a propriedade máster reduzirá o tamanho do impacto.


A questão para o Corinthians passa a ser, portanto, quanto da receita atualmente prevista será possível recompor no mercado após a saída das casas de apostas.


Corinthians já antecipou receitas da Esportes da Sorte em 2026


A mudança acontece em um momento especialmente delicado porque o Corinthians já vinha recorrendo à antecipação de receitas para administrar suas necessidades imediatas de caixa.


Segundo apurou o InfoTimão, a diretoria recebeu antecipadamente valores da Esportes da Sorte referentes a outubro, novembro e parte de dezembro deste ano.


O valor ao qual o Corinthians ainda teria direito no restante de 2026 gira em torno de R$ 20 milhões.


A situação ajuda a dimensionar a pressão enfrentada pelo clube: além da incerteza sobre uma importante fonte de receitas futuras, parte do dinheiro previsto para o presente exercício já havia sido utilizada antecipadamente.


O mesmo recurso vem sendo adotado em outras frentes.



A quantia está relacionada às metas de audiência dos direitos de transmissão e seria paga somente posteriormente. Assim como no caso do patrocinador máster, trata-se de uma antecipação de dinheiro já previsto, e não de uma receita extraordinária criada agora.


Fim das bets pode gerar efeito indireto em contrato com a Brax


Além do impacto diretamente relacionado à Esportes da Sorte, a diretoria acompanha possíveis reflexos da proibição em outras propriedades comerciais.


Uma delas é o contrato com a Brax, responsável pela exploração das placas de publicidade da Neo Química Arena durante jogos do Corinthians pelo Campeonato Brasileiro.


Em 2024, o acordo foi ampliado em R$ 90 milhões e passou a prever R$ 330 milhões para o Corinthians até 2029.


O ponto de atenção está na presença relevante das casas de apostas no mercado de publicidade do futebol. Com a saída simultânea dessas empresas, há receio de diminuição da demanda por determinadas propriedades comercializadas durante as partidas.


Neste momento, porém, o Corinthians não considera os R$ 330 milhões do contrato com a Brax como receita perdida.


Também não existe confirmação de redução do acordo. O risco acompanhado pelo clube é indireto: uma eventual retração no mercado publicitário pode atingir empresas que exploram essas propriedades e, posteriormente, influenciar negociações ou receitas futuras.


Por isso, os valores da Brax não entram na projeção dos R$ 480 milhões.


Direitos de transmissão também entram no radar


O mesmo cuidado vale para os direitos de transmissão. O Corinthians negocia suas propriedades do Campeonato Brasileiro por meio do Futebol Forte União, em acordo válido no atual ciclo até 2029.


As casas de apostas estavam entre importantes compradoras de inventário publicitário das transmissões e das competições nacionais. A saída do setor cria a necessidade de substituição desses anunciantes por emissoras, agências, ligas e organizadores.


O clube acompanha possíveis consequências desse movimento, mas não existe neste momento uma perda confirmada nas cotas de transmissão do Corinthians provocada pelo fim das bets.


Qualquer efeito dependerá da capacidade do mercado publicitário de absorver os espaços anteriormente ocupados pelas casas de apostas e das futuras negociações envolvendo os direitos esportivos.


Assim, transmissão e Brax aparecem no planejamento alvinegro como possíveis efeitos secundários, enquanto o montante de R$ 480 milhões está diretamente relacionado ao contrato atualmente mantido com a Esportes da Sorte.


Bets se tornaram importantes financiadoras do futebol brasileiro


A preocupação não está restrita ao Parque São Jorge. Nos últimos anos, as empresas de apostas passaram a ocupar algumas das propriedades comerciais mais valiosas do futebol nacional, incluindo espaços máster de camisas, placas de publicidade, transmissões e naming rights de competições.


Na Série A, a maioria dos clubes possuía alguma relação comercial relevante com empresas do setor antes da publicação da medida.


Levantamentos do mercado esportivo apontaram ainda que as bets movimentaram mais de R$ 1,1 bilhão em patrocínios entre os maiores clubes brasileiros no último exercício.


A proibição provoca, portanto, uma reorganização simultânea do mercado.


Clubes que antes tinham receitas asseguradas com casas de apostas passarão a disputar novos patrocinadores em outros segmentos, aumentando a quantidade de propriedades relevantes disponíveis para as mesmas empresas.


Para o Corinthians, esse cenário adiciona dificuldade à busca por um substituto capaz de se aproximar dos valores pagos pela Esportes da Sorte.


Impacto chega em meio a déficit, dívida e pagamentos atrasados


A perspectiva de perder uma receita contratada de quase meio bilhão ganha ainda mais peso diante da atual situação financeira do Corinthians.



O Corinthians também acumula dois meses de direitos de imagem em atraso com jogadores do elenco masculino, além de férias e premiações relacionadas à Libertadores e ao Campeonato Brasileiro.


Existem ainda pendências financeiras envolvendo outras modalidades.


Na esfera tributária, o clube enfrenta outra situação relevante. Como mostrou o InfoTimão, o Corinthians possui R$ 20,5 milhões em parcelas atrasadas da transação tributária com a União.


O acordo reduziu um passivo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões, e a diretoria trabalha para regularizar a situação e preservar os benefícios conquistados.


A combinação desses fatores reforça a importância de substituir rapidamente as receitas que deixarão de estar asseguradas com a saída das bets.


Desafio vai além de substituir uma marca na camisa


A principal consequência para o Corinthians não será simplesmente retirar a Esportes da Sorte do uniforme e encontrar uma nova empresa para ocupar o espaço.


O clube precisará recompor uma das maiores receitas comerciais de seu planejamento até 2029.


O desafio ocorre ao mesmo tempo em que a diretoria administra déficit elevado, dívida bilionária, compromissos atrasados e um caixa que já vem recorrendo à antecipação de receitas previstas para meses seguintes.


Os R$ 480 milhões dimensionam o volume mínimo de arrecadação do atual contrato colocado em risco para 2027, 2028 e 2029.


O impacto financeiro definitivo, porém, dependerá do valor obtido com um novo patrocinador, das bonificações que deixam de existir e dos possíveis efeitos indiretos da saída das casas de apostas sobre outras propriedades do futebol brasileiro.


Para o Corinthians, portanto, quase meio bilhão representa hoje o tamanho da receita contratada ameaçada e não necessariamente o prejuízo líquido que estará registrado nas contas até 2029.


E você, torcedor: acredita que o Corinthians conseguirá encontrar um novo patrocinador capaz de se aproximar dos valores pagos pela Esportes da Sorte?


Quanto a perda dessa receita pode pesar na reconstrução financeira do clube até 2029? Deixe sua opinião nos comentários.


Continue acompanhando o InfoTimão para todas as notícias, análises e bastidores sobre as finanças, a política e o dia a dia do Corinthians.


InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

Comentários


bottom of page