Do sonho na Arena ao drama no Independência: Corinthians revela bastidores do título brasileiro Sub-17

Produção da Corinthians TV acompanha os dois jogos da final, revela discursos de vestiário e mostra como o elenco atravessou a tensão até a conquista inédita.

O Corinthians abriu as portas dos vestiários para mostrar como foi construída uma das conquistas mais importantes da história recente de suas categorias de base. Na noite da última sexta-feira (6), a Corinthians TV publicou os bastidores do título inédito do Campeonato Brasileiro Sub-17, conquistado pelos Filhos do Terrão após uma final dramática contra o Cruzeiro.
A produção percorre toda a decisão, desde a chegada à Neo Química Arena para o primeiro confronto até a explosão de alívio no Independência, em Belo Horizonte.
Mais do que rever os gols que construíram o 4 a 3 no placar agregado, o vídeo revela o trabalho emocional da comissão técnica, os discursos dos próprios jogadores e uma mensagem repetida durante os dois jogos: a vantagem nunca poderia ser confundida com a conquista.
O roteiro ganha ainda mais força quando visto depois do desfecho. Antes de a bola rolar na Casa do Povo, os atletas ouviam que haviam conquistado o direito de viver aquela final. Depois do 3 a 0 da ida, Guilherme Nascimento freava qualquer clima de missão cumprida. Em Belo Horizonte, a comissão reforçava a necessidade de suportar a pressão. Quando o Cruzeiro devolveu os três gols em apenas 20 minutos, todas aquelas mensagens passaram a ganhar um significado ainda maior dentro de campo.
Um sonho que virou realidade na Neo Química Arena
Os bastidores começam na manhã de 31 de outubro, quando os Filhos do Terrão chegaram à Neo Química Arena para o primeiro jogo da decisão. Durante o aquecimento no gramado, o preparador físico Rodrigo Marin e o auxiliar técnico Gabriel Amaral reuniram o elenco para reforçar o tamanho da oportunidade, mas também a necessidade de transformar a emoção em competitividade.
Marin lembrou que muitos daqueles jogadores sonhavam com o momento de atuar no estádio do time profissional e destacou que a equipe precisava encarar a final com confiança, inteligência e, principalmente, o espírito competitivo que identifica o Corinthians. Gabriel Amaral seguiu pela mesma linha, mas mudou a perspectiva: para o auxiliar, jogar na Neo Química Arena já não poderia mais ser tratado como um sonho distante porque o próprio grupo havia conquistado aquele direito ao longo da campanha.
“Se foi sonho, foi até a noite de ontem. Pisa aqui no solo sagrado. É pertencimento, é nosso. Ninguém deu para nós. Ninguém convidou. Nós fomos lá e conquistamos esse direito.”
Dentro do vestiário, a mensagem passou também pelos próprios jogadores. Gustavo Milani e Rafael Guarnieri, que estava suspenso depois da expulsão contra o Red Bull Bragantino na semifinal, falaram sobre o privilégio de disputar uma decisão na Casa do Povo. Lucca Caramico, por sua vez, pediu que o time mantivesse aquilo que havia feito durante toda a competição.
A sequência dos bastidores acompanha então o que a Fiel viu em campo na vitória por 3 a 0 sobre o Cruzeiro. Lucas Splichal abriu o placar perto do intervalo, enquanto Lucca marcou duas vezes na etapa final, uma delas em um belo chute de fora da área, para construir uma vantagem importante antes da viagem a Belo Horizonte.
Guilherme Nascimento freia euforia após o 3 a 0
A postura da comissão técnica depois da primeira partida é um dos pontos que mais ganha peso quando os bastidores são vistos conhecendo o desfecho da final. No intervalo da partida em Itaquera, Guilherme Nascimento já havia elogiado o comportamento da equipe e pedido calma para escolher os momentos de acelerar.
Depois do 3 a 0, entretanto, a mensagem deixou de ser apenas tática e passou a ser uma tentativa clara de impedir que a vantagem produzisse acomodação.
A comemoração com a torcida aconteceu, incluindo o tradicional “poropopó” diante das arquibancadas, mas o discurso mudou assim que o elenco voltou ao vestiário.
Nascimento valorizou a maturidade dos jogadores para atravessar os momentos de ansiedade e controlar a partida, porém fez questão de separar uma vitória importante daquilo que realmente interessava.
“Eu estou dando parabéns pela vitória de um jogo. Eu quero dar os parabéns pela conquista do título. E esse parabéns eu não posso dar. Esse não é o parabéns definitivo ainda.”
O treinador ainda lembrou que, se o Corinthians havia construído três gols de vantagem, o Cruzeiro também teria o direito de acreditar em uma reação jogando em casa. Era praticamente uma extensão do alerta dado na coletiva depois da partida de ida, quando Nascimento repetiu que a decisão ainda não havia terminado.
A confiança vinha acompanhada de cautela. O técnico classificou o segundo tempo disputado na Neo Química Arena como uma atuação de nível profissional e pediu que o grupo levasse aquela mesma maturidade aos 90 minutos restantes em Minas Gerais, justamente porque sabia que a vantagem construída em São Paulo não eliminava a capacidade de reação do adversário.
Em Belo Horizonte, comissão prepara elenco para suportar pressão
A segunda metade do vídeo leva a narrativa para a Arena Independência. Antes do jogo de volta, o treinador de goleiros Raphael Amersur conversa com os arqueiros, enquanto Gabriel Amaral e Rodrigo Marin novamente assumem a palavra ainda durante o aquecimento.
O tom era diferente. Se em São Paulo o grupo precisava lidar com a emoção de jogar uma final na Neo Química Arena, em Belo Horizonte a preocupação principal era manter o equilíbrio diante de um adversário obrigado a pressionar desde o início.
Amaral pediu que o Corinthians terminasse a decisão com os 11 jogadores e usou uma imagem que acabaria se tornando realidade algumas horas depois: a entrada daquela geração na história do clube.
“Nós começamos a nossa trajetória reunidos lá no Memorial, vendo tudo aquilo que o nosso clube já conquistou. E a próxima vez que a gente pisar lá, a nossa foto vai estar no meio.”
O primeiro tempo terminou sem gols, mas esteve longe de ser confortável. O Cruzeiro criou as melhores oportunidades e obrigou Gustavo Milani a realizar intervenções importantes para preservar a vantagem conquistada na ida. No intervalo, Guilherme Nascimento voltou a trabalhar o lado emocional do elenco e, em vez de concentrar a conversa apenas nas dificuldades apresentadas pelo time, pediu aos jogadores que valorizassem a capacidade de suportar a pressão do Independência.
Segundo o treinador, equipes de formação muitas vezes se perdem emocionalmente quando submetidas a um cenário daquele tamanho. Resistir, portanto, também fazia parte de uma postura de campeão.
“Valoriza a luta e a fibra de vocês. Valoriza ter sustentado a torcida deles, os caras botando pressão e a gente sustentando. Para sustentar a pressão tem que ter fibra de campeão.”
O treinador encerrou o discurso projetando um segundo tempo em que o Corinthians também pudesse encontrar seu gol. A realidade, porém, seria muito mais dramática do que qualquer planejamento de intervalo poderia prever.
Três gols em 20 minutos colocam o título em risco
O que a comissão havia tentado evitar aconteceu imediatamente depois do intervalo.
O Cruzeiro marcou antes do primeiro minuto do segundo tempo, fez o segundo aos sete e chegou ao 3 a 0 aos 20, apagando em poucos minutos toda a vantagem construída pelo Corinthians na Neo Química Arena.
Com o agregado empatado em 3 a 3, a decisão passou a caminhar para os pênaltis, enquanto a atmosfera do Independência mudava completamente. O Corinthians precisava reorganizar não apenas sua estrutura dentro de campo, mas também o próprio estado emocional depois de assistir à margem construída no primeiro jogo desaparecer em uma sequência avassaladora dos mineiros.
Foi nesse cenário que surgiu, aos 30 minutos, o lance que transformou novamente a final. Pedro Fernandes recebeu na entrada da área e decidiu arriscar de longa distância. A bola desviou, obrigou Diogo a fazer a defesa, tocou no travessão e, na volta, bateu no próprio goleiro antes de entrar. O gol contra recolocou o Corinthians na frente por 4 a 3 no agregado e mudou mais uma vez o roteiro de uma decisão que parecia fugir ao controle.
O Cruzeiro ainda acertou a trave nos acréscimos e o Timãozinho terminou a partida com dez jogadores após a expulsão de Jerry Vinicius, mas conseguiu sobreviver aos últimos minutos. Quando veio o apito final, toda a tensão acumulada durante a segunda etapa se transformou em uma celebração registrada pelos bastidores de diferentes ângulos, inclusive pelos próprios atletas no banco de reservas.
Alguns jogadores cumpriram promessas feitas antes da conquista. Tupã, conhecido também como Kayque Dallaqua, esteve entre aqueles que atravessaram o gramado de joelhos depois da confirmação de que o primeiro Campeonato Brasileiro Sub-17 da história do Corinthians estava garantido.
“Isso é Corinthians”: vestiário celebra conquista inédita no Sub-17
A festa continuou no vestiário, onde jogadores, comissão técnica e profissionais do departamento finalmente puderam ouvir o parabéns que Guilherme Nascimento havia se recusado a dar depois do primeiro jogo.
Erasmo Damiani, executivo responsável pelas categorias de base, lembrou títulos importantes de sua própria trajetória profissional antes de dimensionar o significado daquela noite. Campeão olímpico, bicampeão da Copa São Paulo e vencedor de torneios sul-americanos de seleções de base, o dirigente destacou que aquela era a primeira conquista do Corinthians no Campeonato Brasileiro Sub-17.
A maneira como o título chegou também virou motivo de brincadeira.
“Mataram a gente do coração, os gols improváveis, né, Pedrinho? Isso é Corinthians. Se não fosse isso, não seria Corinthians.”
Guilherme Nascimento ampliou o reconhecimento para além dos jogadores e da comissão. O treinador citou profissionais de diferentes áreas do clube, da portaria à manutenção dos gramados, passando por alimentação, limpeza e diretoria, para explicar o ambiente que encontrou durante a temporada e a mobilização que, em sua avaliação, ajudava a justificar por que o troféu estava dentro daquele vestiário.
O discurso também ofereceu outra leitura para o sofrimento vivido na partida de volta. O Corinthians só pôde atravessar os 20 minutos em que levou três gols sem perder definitivamente a taça porque havia construído uma atuação praticamente perfeita na Neo Química Arena. O 3 a 0 da ida, portanto, não havia sido apenas uma vantagem confortável, mas a margem que permitiu aos Filhos do Terrão sobreviverem ao pior momento de toda a decisão.
Título entra no Memorial, mas comissão já cobra novas conquistas
O encerramento dos bastidores evita transformar a conquista em ponto final da temporada. Gabriel Amaral pediu que os jogadores aproveitassem o momento e guardassem as lembranças construídas pelo grupo, lembrando que a medalha seria enquadrada, o troféu seguiria para o Memorial e a fotografia daquela geração passaria a integrar a história do Corinthians.
Para o auxiliar, entretanto, nenhuma dessas conquistas poderia eliminar a ambição.
“Que nunca falte ambição. Que seja para lutar pela última bola, como foi ali, mas que também não falte para buscar mais. Porque a gente pode buscar mais.”
Quando Amaral afirma que o Corinthians ainda pode terminar a temporada com três taças, o recado aponta para os dois desafios que permanecem no calendário. Além do Campeonato Brasileiro já conquistado, os Filhos do Terrão seguem envolvidos no Campeonato Paulista Sub-17 e ainda disputarão a Supercopa do Brasil da categoria, competição reservada aos campeões nacionais.
A frase encerra os bastidores em sintonia com toda a história mostrada pela Corinthians TV. A caminhada começou com jogadores sendo lembrados de que haviam conquistado o direito de pisar na Neo Química Arena e terminou com aquele mesmo grupo sabendo que sua fotografia passaria a ocupar espaço entre os campeões do clube. O que começou como um sonho virou conquista, memória e um novo capítulo na história das categorias de base do Corinthians.
O InfoTimão segue acompanhando todos os passos dos Filhos do Terrão, com as principais notícias, bastidores e histórias das categorias de base do Corinthians.






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