Guilherme Nascimento valoriza 3 a 0, mas alerta Corinthians: “Não acabou”

Técnico explica nervosismo na Neo Química Arena, confirma Lucca Caramico na decisão e detalha processo de formação dos Filhos do Terrão

A vantagem de três gols construída pelo Corinthians diante do Cruzeiro colocou o Timãozinho em situação privilegiada na final do Campeonato Brasileiro Sub-17, mas está longe de ser tratada como definitiva pela comissão técnica. Após a vitória por 3 a 0 na Neo Química Arena, Guilherme Nascimento revelou que a primeira mensagem passada aos jogadores no vestiário foi justamente para afastar qualquer sensação de título conquistado.
O treinador reconheceu a importância de iniciar uma decisão de 180 minutos com três gols de vantagem, mas utilizou um exemplo recente da própria competição para reforçar o alerta.
Em 2025, o Grêmio venceu o Atlético-MG por 4 a 1 na primeira partida da final. Na volta, o time mineiro fez 3 a 0 e conquistou o título nos pênaltis.
“O papo no vestiário foi bem claro, bem consistente no sentido de: não acabou.”
Para Guilherme, a própria trajetória do Corinthians no mata-mata também serve de lembrança. O Timãozinho já precisou buscar resultados durante a atual campanha e, por isso, conhece a capacidade que partidas de categorias de base possuem de mudar rapidamente de cenário.
Assista à coletiva completa de Guilherme Nascimento
Guilherme explica nervosismo do Corinthians na Neo Química Arena
O placar final poderia sugerir uma partida tranquila, mas o primeiro tempo mostrou um cenário bastante diferente.
O Cruzeiro começou melhor, criou as oportunidades mais perigosas e obrigou Gustavo Milani a realizar defesas importantes antes de Lucas Splichal abrir o placar já na reta final da etapa.
Guilherme não tentou esconder o impacto emocional sentido pelos jogadores.
O treinador lembrou que trabalha com atletas de 16 e 17 anos e utilizou justamente Splichal como exemplo. Autor do primeiro gol da final, o meio-campista ainda pertence à categoria Sub-15 e tem apenas 15 anos.
A combinação entre pouca idade, uma final de Campeonato Brasileiro e a oportunidade de atuar na Neo Química Arena, segundo o técnico, influenciou diretamente o comportamento da equipe nos primeiros minutos.
“Começamos o jogo dando sinais claros de nervosismo, de ausência da naturalidade de fazer aquilo que a gente fazia com constância nas outras partidas”, explicou.
O Corinthians conseguiu atravessar o momento mais difícil sem sofrer gols, muito graças às intervenções de Milani. Aos poucos, a equipe equilibrou a partida e encontrou o gol de Splichal antes do intervalo.
O que Guilherme falou no intervalo?
Com a vantagem construída no fim do primeiro tempo, a conversa no vestiário não passou por grandes alterações táticas.
O principal objetivo foi recuperar a naturalidade da equipe.
Guilherme explicou aos jogadores que o período de maior nervosismo e descontrole já havia passado e que, a partir dali, o Corinthians precisava voltar a concentrar suas energias naquilo que conseguia controlar: o jogo e as ações que a equipe já estava acostumada a executar.
A resposta apareceu rapidamente.
No segundo tempo, o Corinthians passou a controlar melhor as ações, reduziu os espaços oferecidos ao adversário e marcou outras duas vezes com Lucca Caramico para transformar a vantagem mínima em 3 a 0.
Para Guilherme, essa mudança também demonstrou uma característica construída durante a temporada: a maturidade para atravessar momentos diferentes dentro de uma mesma partida.
Trabalho mental começou muito antes da final
A preparação emocional para a decisão, segundo o treinador, não começou nesta semana.
Guilherme explicou que questões mentais fazem parte de um processo desenvolvido desde o início da temporada, juntamente com valores esportivos, humanos e com o entendimento sobre o que significa representar o Corinthians.
Por isso, o discurso utilizado antes da volta contra o Cruzeiro não precisa partir de uma ação motivacional específica para a final.
A comissão técnica trabalha há meses para que os jovens consigam reagir tanto a momentos favoráveis quanto aos períodos de instabilidade sem perder a referência coletiva.
Uma frase resume a ideia repetida internamente:
“A próxima bola é a mais importante.”
Essa mentalidade também orienta a abordagem para Belo Horizonte. A vantagem existe e é valorizada, mas o Corinthians pretende iniciar o segundo jogo tratando a eliminatória como ainda aberta.
Lucca Caramico vai disputar o jogo de volta da final
Guilherme também esclareceu uma dúvida importante envolvendo Lucca Caramico.
O meio-campista foi convocado para a Copa do Mundo Sub-17 ao lado de Iago Machado e a programação inicial da Seleção Brasileira previa a apresentação dos jogadores justamente em 3 de novembro, data da segunda partida da final.
Apesar da coincidência, Lucca estará à disposição do Corinthians na Arena Independência.
Segundo Guilherme, houve um acordo envolvendo os dois clubes finalistas e a CBF para que os atletas convocados possam disputar a decisão e se apresentem à Seleção posteriormente.
“Vamos contar com o Lucca na volta, assim como o Cruzeiro conta com seus convocados.”
A presença é especialmente importante depois da atuação na Neo Química Arena. Lucca marcou duas vezes no 3 a 0 e chegou a 17 gols no Brasileiro Sub-17, ficando a apenas um de Thaylon, do Cruzeiro, na disputa pela artilharia.
“Um dos nossos protagonistas”: Guilherme analisa evolução de Lucca
Questionado especificamente sobre o camisa 8, Guilherme evitou limitar a análise aos dois gols da final.
O técnico lembrou que Lucca está no processo de formação do Corinthians há vários anos e atribuiu seu desenvolvimento não apenas ao mérito individual, mas ao trabalho realizado por diferentes treinadores, preparadores e profissionais que passaram pela trajetória do jogador.
A convocação para a Seleção também foi utilizada para exemplificar o processo.
Durante períodos em que Lucca buscava espaço entre os convocados e não recebia oportunidades, Guilherme conta que a comissão técnica procurava mostrar ao meio-campista que vestir a camisa da Seleção Sub-17 não deveria ser tratado como o objetivo final.
A meta, segundo o treinador, está mais adiante: consolidar-se como jogador profissional.
“Hoje ele é um dos nossos protagonistas. Não tem como negar. O jogo mostra isso.”
Guilherme definiu Lucca como um meio-campista capaz de participar das diferentes fases do jogo, destacando sua capacidade de desarmar, armar e concluir.
A evolução esportiva também vem acompanhada de proteção contratual.
Recentemente, o Corinthians renovou o vínculo de Lucca Caramico até dezembro de 2029.
Corinthians ainda vê pontos para corrigir mesmo após 3 a 0
A vantagem construída não impediu Guilherme de apontar problemas apresentados na primeira partida.
O principal deles esteve no comportamento ofensivo quando o Corinthians possuía a bola no campo adversário.
Para o treinador, a equipe poderia ter sido mais agressiva e vertical, especialmente durante o primeiro tempo. Mesmo tendo momentos de posse no setor ofensivo, o Timãozinho criou menos situações claras do que poderia.
O Cruzeiro, por outro lado, conseguiu gerar perigo em transições e produziu algumas das melhores chances antes do gol de Splichal.
Essa deverá ser uma das correções trabalhadas para a segunda partida.
A expectativa é de um cenário diferente em Belo Horizonte. Precisando reverter três gols, o Cruzeiro deverá assumir mais riscos e eventualmente abandonar parte do comportamento que apresentou na Neo Química Arena.
O desafio do Corinthians será aproveitar os espaços sem perder o controle emocional que Guilherme considera fundamental.
Defesa também recebe elogios após sair zerada
Apesar da preocupação com as oportunidades concedidas no início, o treinador valorizou o fato de o Corinthians ter terminado a partida sem sofrer gols.
O adversário conta com Thaylon, artilheiro do Brasileiro Sub-17 com 18 gols, e ainda terá retornos de jogadores ofensivos que estavam suspensos no primeiro confronto.
Guilherme destacou que o equilíbrio esteve presente durante toda a campanha corinthiana.
O Timãozinho chegou à final com o melhor ataque da competição e terminou a primeira fase com a terceira melhor defesa, combinação que ajudou a equipe a alcançar o maior saldo de gols naquele estágio do torneio.
Para o treinador, defender bem também faz parte da identidade do time.
A avaliação inclui não apenas a linha defensiva e Gustavo Milani, mas o trabalho de pressão iniciado pelos jogadores mais avançados.
Guilherme explica espaço para jogadores ainda do Sub-15
Outro tema abordado na coletiva foi a utilização de atletas abaixo da faixa etária principal da competição.
Lucas Splichal é o principal exemplo. Mesmo tendo apenas 15 anos, o meio-campista ganhou espaço no Sub-17 e foi titular justamente na primeira partida de uma final nacional, coroando a atuação com o gol que abriu o placar.
Guilherme relacionou esse movimento à reorganização promovida nas categorias de formação.
Segundo o treinador, o Corinthians trabalha atualmente com elencos mais enxutos, cenário que permite à comissão técnica identificar jogadores que já encontram pouco desafio em sua categoria de origem e acelerar o desenvolvimento deles em um nível superior.
A ideia conversa diretamente com o processo de reformulação da base conduzido pelo executivo Erasmo Damiani, que reduziu o número de jogadores por categoria e estabeleceu uma estrutura voltada a avaliações mais individualizadas.
Guilherme também fez questão de defender o critério adotado nas escolhas.
“Hoje a gente tem dentro da base do Corinthians muita organização e muito critério técnico”, afirmou o treinador, que rejeitou interferências externas ou políticas na definição dos atletas utilizados.
No caso de Splichal e de outros jogadores promovidos acima da categoria de origem, o caminho foi gradual. Primeiro, a comissão identificou que o nível Sub-15 já não oferecia o desafio considerado necessário. Depois, os atletas receberam minutos controlados no Sub-17 até demonstrarem adaptação à maior velocidade e força dos duelos.
A partir daí, nas palavras de Guilherme, o processo passa a ser o de “dar espaço para o talento”.
Na Neo Química Arena, diante de mais de quatro mil torcedores e em uma final de Campeonato Brasileiro, um garoto de 15 anos marcou o gol que abriu caminho para a vitória por 3 a 0.
Corinthians tenta transformar vantagem em título inédito
A equipe agora deixa para trás a experiência na Neo Química Arena e inicia a preparação para os últimos 90 minutos da decisão.
O Corinthians enfrenta novamente o Cruzeiro nesta terça-feira, 3 de novembro, às 21h30, na Arena Independência, em Belo Horizonte.
Com a vantagem construída em São Paulo, o Timãozinho pode vencer, empatar ou perder por até dois gols para conquistar o primeiro Campeonato Brasileiro Sub-17 de sua história. Uma derrota por três gols leva a decisão aos pênaltis.
A margem é considerável. Guilherme Nascimento não nega isso.
Mas a experiência de 2025, o caminho percorrido pelo próprio Corinthians nos mata-matas e a imprevisibilidade natural de uma categoria formada por jovens ajudam a explicar por que a principal mensagem deixada no vestiário da Neo Química Arena foi tão curta quanto direta: não acabou.
O InfoTimão acompanha a preparação dos Filhos do Terrão para a decisão do Campeonato Brasileiro Sub-17 e todos os bastidores das categorias de base do Corinthians.






Comentários