Aniversário da maior goleada da história: Corinthians aplicou 11 a 0 no Santos em clássico encerrado após protestos
- Redação InfoTimão

- 11 de jul.
- 5 min de leitura
Partida disputada em 11 de julho de 1920 foi encerrada antes do tempo regulamentar após expulsões, abandonos de campo, um gol contra proposital e protestos dos jogadores santistas.

Em 11 de julho de 1920, o Corinthians construiu um dos resultados mais impressionantes de sua história. Na Vila Belmiro, o Timão derrotou o Santos por 11 a 0, placar que permanece como a maior goleada já aplicada pelo clube e a mais elástica do Clássico Alvinegro.
A partida, disputada pelo primeiro turno do Campeonato Paulista, não chegou ao fim. Depois de sofrer dez gols, jogadores santistas passaram a protestar contra a arbitragem, trocaram de posição, abandonaram o campo e protagonizaram um gol contra proposital.
Sem o número mínimo de atletas do adversário, o árbitro encerrou o confronto ainda na primeira metade do segundo tempo.
Mais de um século depois, o resultado continua intacto nos livros de recordes do Corinthians.
Corinthians já mobilizava multidões em seus primeiros anos
Naquele momento, Corinthians e Santos ainda eram clubes jovens. O Timão tinha nove anos de existência, enquanto o clube da Baixada Santista havia sido fundado oito anos antes. A rivalidade entre as equipes ainda não possuía a dimensão que ganharia nas décadas seguintes.
O Corinthians, porém, já havia se transformado em um fenômeno popular. Em uma época na qual o futebol permanecia fortemente associado às elites, o clube fundado por operários atraía milhares de torcedores e consolidava sua identificação com as camadas populares de São Paulo.
A mobilização também era vista nos jogos disputados fora da capital. Para acompanhar a partida na Vila Belmiro, corinthianos ocuparam os vagões das composições da São Paulo Railway e viajaram em caravana até a Baixada Santista.
Segundo o historiador Fernando Wanner, o clube já representava uma revolução popular consolidada em 1920. Além da força nas arquibancadas, o Corinthians reunia jogadores que frequentemente defendiam as seleções paulista e brasileira, tendo Neco como uma de suas principais referências.

Chuva e gramado castigado não impediram o domínio do Corinthians
A partida foi realizada em uma tarde chuvosa. O gramado da Vila Belmiro, que já não apresentava boas condições, ficou ainda mais castigado depois do confronto preliminar entre os segundos quadros das equipes, vencido pelo Corinthians por 3 a 1.
Os relatos da época apontam que o início do jogo principal foi equilibrado. O Santos contava com jogadores reconhecidos no futebol paulista, como Arnaldo Silveira, Haroldo Domingues, Ary Patusca, Adolpho Millon, Constantino e Castelhano.
Uma semana antes de enfrentar o Corinthians, a equipe santista havia derrotado o Flamengo por 6 a 0. O retrospecto recente, no entanto, não foi suficiente para conter o ataque alvinegro.
Mesmo com as poças d’água e as dificuldades impostas pelo campo, o Corinthians assumiu o controle do confronto e abriu uma vantagem de 5 a 0 antes do intervalo.
Gambarotta e Neco comandaram a goleada
O domínio corinthiano continuou no segundo tempo. Gambarotta marcou quatro gols, enquanto Neco balançou as redes três vezes. Basílio, Bororó e Amílcar também participaram da goleada.
À medida que o placar aumentava, os jogadores do Santos intensificavam as reclamações contra o árbitro Eduardo Taurisano. Os santistas alegavam que o responsável pelo apito havia deixado de assinalar penalidades a favor da equipe e tomado decisões favoráveis ao Corinthians.
Não existem, porém, registros que permitam concluir objetivamente que a arbitragem tenha sido tendenciosa. O que permaneceu documentado foram as reclamações santistas e, principalmente, a maneira radical escolhida pelos jogadores para protestar.
Goleiro no ataque, abandonos e gol contra proposital
A partida assumiu contornos incomuns durante a segunda etapa.
Os jogadores santistas passaram a trocar de posição. O goleiro Randolpho deixou a meta e foi atuar como centroavante, enquanto o meio-campista Cícero assumiu a função de goleiro.
Na sequência, Ricardo e Bilu foram expulsos. Randolpho e Adolpho Millon também deixaram o gramado antes do encerramento do confronto.
O episódio mais emblemático ocorreu depois do décimo gol do Corinthians. Em protesto contra a arbitragem, Ary Patusca marcou deliberadamente contra a própria equipe, estabelecendo o placar de 11 a 0.
O jogador não escondeu que havia praticado o ato de maneira proposital e acabou expulso por conduta antidesportiva. Com o Santos sem o número mínimo de atletas para continuar jogando, Eduardo Taurisano encerrou o clássico por volta dos 21 minutos do segundo tempo.

Os acontecimentos registrados em campo ganharam grande destaque nos jornais do dia seguinte. O recorte acima, publicado pelo Correio Paulistano em 12 de julho de 1920, descreve o domínio corinthiano e também relata as reclamações santistas contra a arbitragem, as mudanças de posição dos jogadores e o encerramento antecipado da partida.
Imprensa da época condenou a atitude dos santistas
Embora os jornais tenham registrado as reclamações do Santos contra a arbitragem, a postura dos jogadores foi duramente criticada pela imprensa.
No dia seguinte, o jornal “A Gazeta” classificou o confronto como uma “pugna fria, para não dizer indecente” e afirmou que haviam ocorrido fatos vergonhosos para o esporte paulista.
O “Correio Paulistano” também destacou a repercussão negativa do episódio e apontou que a conduta de integrantes da equipe santista havia sido alvo de forte censura nos círculos esportivos.
A própria diretoria do Santos puniu jogadores envolvidos nos protestos e nos abandonos de campo.
Corinthians terminou o Paulista com o melhor ataque
O Santos abandonou o Campeonato Paulista algumas rodadas depois. Já o Corinthians encerrou a competição na terceira colocação, atrás do campeão Palestra Itália e do Paulistano.
Apesar de não conquistar o título, o Timão terminou o Estadual com o melhor ataque, somando 75 gols em 17 partidas. Neco foi o artilheiro do campeonato, com 24 gols.
No ano seguinte, o Corinthians chegou a marcar 12 vezes na vitória sobre o Internacional da capital. Como sofreu dois gols naquele confronto, o resultado de 12 a 2 não superou a diferença construída diante do Santos.
Assim, o 11 a 0 na Vila Belmiro permanece como a maior goleada da história do Corinthians. A partida também continua sendo a derrota mais elástica já sofrida pelo Santos.
Ficha técnica de Santos 0 x 11 Corinthians
Competição: Campeonato Paulista de 1920
Data: 11 de julho de 1920Local: Vila Belmiro, em Santos
Árbitro: Eduardo Taurisano
Santos: Randolpho; Cícero e Bilu; Ricardo, Marba e Pereira; Milton, Castelhano, Ary Patusca, Haroldo e Arnaldo.
Corinthians: Colombo; Nando e Gano; Garcia, Amílcar e Ciasca; Américo, Neco, Bororó, Gambarotta e Basílio.
Gols: Gambarotta, quatro vezes; Neco, três vezes; Basílio, Bororó, Amílcar e Ary Patusca, contra.
Anota aí
O Corinthians 11 a 0 Santos, disputado em 11 de julho de 1920, segue como a maior goleada da história alvinegra.
Além do resultado, o clássico entrou para a memória do futebol paulista pelo gol contra proposital de Ary Patusca, pelas mudanças improvisadas de posição, pelas expulsões, pelos abandonos e pelo encerramento antecipado da partida.
Um capítulo histórico e inigualável da trajetória do Timão.
Mais de um século depois, o 11 a 0 sobre o Santos permanece como um dos capítulos mais emblemáticos da história corinthiana, lembrando que a grandeza do Corinthians também foi construída por feitos que atravessam gerações.
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