Torcedores do Santa Fe fazem gestos racistas contra corinthianos após jogo da Libertadores na Colômbia
- Redação InfoTimão

- 7 de mai
- 3 min de leitura

O empate entre Corinthians e Independiente Santa Fe, pela CONMEBOL Libertadores 2026, terminou com mais um episódio grave de racismo no futebol sul-americano.
Após o apito final do empate por 1 a 1, na noite desta quarta-feira (06), no Estádio El Campín, em Bogotá, torcedores da equipe colombiana realizaram gestos racistas em direção aos corinthianos presentes no setor visitante.
As imagens começaram a circular rapidamente nas redes sociais e aumentaram a repercussão do caso ainda durante a madrugada.
Em um dos vídeos publicados pelo perfil “Casal Coringão”, um torcedor do Santa Fe aparece imitando um macaco enquanto encara e provoca torcedores do Corinthians que registravam a situação. Outros colombianos também aparecem no entorno realizando xingamentos e ofensas direcionadas à torcida alvinegra.
O episódio acontece justamente em uma edição da Libertadores marcada novamente por denúncias recorrentes de discriminação racial envolvendo clubes sul-americanos.
Confira o vídeo publicado com os gestos racistas:
Corinthians articula medidas após episódio de racismo
Internamente, o Corinthians já iniciou movimentações para buscar providências relacionadas ao caso.
Até o momento da publicação desta matéria, nem o Santa Fe nem a Conmebol haviam divulgado posicionamentos oficiais sobre o episódio ocorrido no El Campín.
Nos bastidores, porém, dirigentes do clube alvinegro confirmam que o caso será levado adiante.
Em contato com o portal Meu Timão, Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo do Corinthians e coordenador do Grupo de Apoio ao Torcedor (GAT) em jogos fora de casa, afirmou que o clube buscará punições.
“Já conversamos internamente e adotaremos as providências em busca da punição. Isso já passou da hora de acabar. É crime e deve ser punido.”
A tendência é que o Corinthians reúna imagens, relatos e registros oficiais para formalizar denúncia junto à Conmebol.
Campanha antirracismo da Conmebol volta a ser questionada
O episódio envolvendo torcedores do Santa Fe acontece em meio à campanha “O Respeito é Titular”, promovida pela própria Conmebol antes das partidas da Libertadores.
A ação institucional busca combater casos de racismo, discriminação e violência no futebol sul-americano.
Apesar disso, os episódios seguem acontecendo de maneira frequente em competições continentais, gerando críticas constantes à efetividade das punições aplicadas pela entidade.
A contradição entre o discurso institucional e a repetição dos casos voltou a gerar forte repercussão entre torcedores brasileiros nas redes sociais após o jogo em Bogotá.
Racismo tem sido recorrente em competições sul-americanas
Os casos recentes envolvendo clubes brasileiros reforçam o cenário preocupante vivido no futebol da América do Sul.
Nas últimas semanas, torcedores de Cruzeiro, Flamengo e Santos denunciaram ofensas racistas em confrontos diante de Boca Juniors, San Lorenzo e Estudiantes, respectivamente.
No episódio envolvendo o Boca Juniors, um torcedor argentino chegou a ser detido no Brasil após praticar atos racistas durante partida válida por competição continental.
O crescimento da recorrência desses episódios aumentou a pressão sobre a Conmebol para endurecimento das punições esportivas e financeiras.
Conmebol prevê multas milionárias e punições esportivas
O código disciplinar da Conmebol prevê punições severas para casos de racismo envolvendo clubes e torcedores.
Segundo o artigo 15 do regulamento, associações ou equipes podem ser multadas em no mínimo US$ 100 mil, valor que pode chegar a US$ 400 mil em situações de reincidência.
Além das multas financeiras, a entidade também prevê punições esportivas, como:
jogos com portões fechados
fechamento parcial de setores do estádio
proibição de presença de torcedores
obrigatoriedade de campanhas educativas e antidiscriminatórias
Mesmo assim, clubes brasileiros e movimentos antirracistas frequentemente criticam a falta de rigor da entidade em episódios recentes.
Corinthians já foi vítima de caso semelhante na Neo Química Arena
O próprio Corinthians já esteve no centro de outro caso de racismo envolvendo competições sul-americanas.
Em 2023, Sebastian Avellino Vargas, preparador físico do Universitario, do Peru, foi preso após realizar gestos racistas direcionados à torcida corinthiana na Neo Química Arena, em partida válida pela Copa Sul-Americana.
O episódio teve repercussão internacional e ampliou a pressão sobre entidades esportivas por medidas mais rígidas no combate à discriminação racial no futebol.
Empate mantém Corinthians na liderança da Libertadores
Dentro de campo, o empate manteve o Corinthians na liderança do Grupo E da Libertadores, agora com dez pontos conquistados.
A equipe comandada por Fernando Diniz volta a campo no próximo domingo (10), às 18h30, quando enfrenta o São Paulo Futebol Clube, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.
O InfoTimão acompanha todos os acontecimentos envolvendo o Corinthians dentro e fora de campo, com cobertura responsável, contextualizada e compromisso com a informação de qualidade para a Fiel.






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