Defesa volta a ligar alerta no Corinthians após empate com o Santos; Érika e Emily Lima admitem preocupação
- Redação InfoTimão

- há 1 dia
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O empate do Corinthians por 2 a 2 diante do Santos, na noite desta quinta-feira (21), na Fazendinha, aumentou o sinal de alerta dentro do clube. Após sofrer cinco gols nos últimos dois jogos, as Brabas voltaram a demonstrar dificuldades defensivas e ouviram da própria comissão técnica e das líderes do elenco um discurso de preocupação, adaptação e necessidade urgente de evolução.
Depois do tropeço diante do Cruzeiro pelo Brasileirão Feminino, o clássico estadual era tratado internamente como uma oportunidade de resposta imediata. O Corinthians criou mais chances, teve controle ofensivo em diversos momentos, virou o placar no segundo tempo e pressionou em busca da vitória. Ainda assim, voltou a sofrer defensivamente e deixou escapar mais dois pontos dentro da Fazendinha.
Após o jogo, tanto a zagueira Érika quanto a técnica Emily Lima admitiram publicamente o desconforto com o momento defensivo vivido pela equipe e apontaram que o principal desafio atual do Corinthians está justamente na adaptação ao novo modelo de jogo implementado pela comissão técnica.
Mudança de estilo expõe sistema defensivo das Brabas
Desde a chegada de Emily Lima, o Corinthians passou a adotar uma proposta ainda mais agressiva ofensivamente, principalmente com laterais atacando simultaneamente, pressão alta constante e ocupação intensa do campo adversário.
Se ofensivamente o time segue criando muitas oportunidades, defensivamente o novo sistema ainda apresenta oscilações importantes, principalmente nas transições sem bola e nos espaços deixados às costas da linha defensiva.
Foi justamente esse cenário que Érika detalhou após o clássico.
“A gente fala defesa, a gente tem que falar equipe inteira. É um jogo de 10 para um lado, 10 para o outro. A gente precisa estar compacto e entender realmente como as outras equipes jogam. Porque a gente quer atacar. Isso é Corinthians”, afirmou.
Segundo a defensora, a proposta ofensiva acaba exigindo muito mais das zagueiras e da proteção feita pelas volantes.
“A gente ataca muito com as duas laterais. Enquanto uma está, a outra também está chegando na área. Então, para isso, a gente precisa deixar uma volante mais fixa para ajudar a gente. Porque os times já estão estudando como o Corinthians joga”, explicou.
Érika expõe incômodo emocional com gols sofridos
Uma das falas mais fortes da entrevista aconteceu quando Érika revelou o impacto emocional que sente ao sofrer gols neste momento de adaptação defensiva do Corinthians.
“Tomar gol faz parte, mas eu não gosto. Hoje, jogando mais na linha defensiva, eu sinto muito quando a gente toma gol. Eu levo isso para o outro jogo. Fico pensando que a gente não pode sofrer gol desse jeito”, declarou.
A zagueira ainda admitiu que o elenco segue assimilando as novas exigências táticas propostas por Emily Lima.
“A gente vem trabalhando um sistema diferente, de recompor, correr para trás, esperar. Acho que isso ainda precisa ser entendido um pouquinho mais. Porque eu também não estou gostando de tomar gol, não”, completou.
O discurso da camisa alvinegra evidencia um Corinthians ainda em processo de transformação tática, tentando equilibrar o estilo ofensivo tradicional do clube com uma organização defensiva mais eficiente.
Corinthians cria muito, mas eficiência segue como problema
Mesmo diante das dificuldades defensivas, Érika valorizou a postura ofensiva apresentada pela equipe no clássico e reforçou que o Corinthians continua conseguindo produzir volume de jogo.
“O Corinthians é desse jeito. Às vezes a gente perde ou empata, mas é a equipe que mais chuta no gol, que mais faz a goleira trabalhar”, comentou.
No entanto, a defensora reconheceu que o time precisa transformar o domínio ofensivo em mais gols para evitar jogos abertos e emocionalmente desgastantes.
“A gente chega muito, cria bastante, mas precisa ser mais eficiente. Porque chegar, a gente chega”, afirmou.

Emily Lima admite preocupação e promete ajustes imediatos
Na entrevista coletiva pós-jogo, Emily Lima adotou um discurso semelhante ao de Érika e reconheceu preocupação com o comportamento defensivo do Corinthians.
Segundo a treinadora, o time consegue controlar grandes períodos dos jogos, mas segue oferecendo espaços perigosos nas transições defensivas.
“O que mais me preocupa é a quantidade de gols que a gente está sofrendo. A gente é muito detalhista na transição defensiva e organização. Isso vem gerando desconforto e é algo que precisamos pontuar muito mais nos treinamentos”, afirmou.
A técnica explicou que os ajustes vão além do trabalho em campo e passam também por análises táticas e mudanças estratégicas sem a bola.
“A gente precisa mudar um pouco a estratégia quando não tem a bola. Contra equipes que jogam em bloco baixo, a principal saída delas é a transição rápida, buscando os espaços que nós deixamos”, analisou.
Treinadora vê início preocupante no Paulista Feminino
Emily Lima também classificou como preocupante o início das Brabas no Paulista Feminino.
Em três rodadas, o Corinthians soma:
uma vitória;
um empate;
uma derrota.
Além disso, a equipe ainda não venceu atuando na Fazendinha nesta edição do estadual.
“É um começo ruim, preocupante. A gente precisa estar entre primeiro e segundo para ir direto para a fase final, e isso vai precisar ser resolvido já”, declarou.
Segundo a treinadora, o primeiro semestre serviu como período de observação do elenco e distribuição de minutagem, mas a tendência agora é de maior definição da equipe principal.
“Agora a gente precisa afunilar um pouco mais a equipe e focar nas competições como um todo”, afirmou.
Érika descarta qualquer problema interno no elenco
Apesar do momento de oscilação, Érika negou qualquer desgaste entre elenco e comissão técnica.
“Muito pelo contrário. Quando a gente fecha ali depois do jogo, é para conversar rapidamente sobre o que aconteceu. Faz a oração e está tudo certo”, afirmou.
A zagueira também destacou a profundidade do elenco e elogiou o rodízio promovido por Emily Lima neste início de temporada.
“Ela está dando oportunidade para todo mundo jogar. Isso é essencial. A gente tem um elenco extraordinário”, comentou.
Assista os melhores momentos:
Corinthians tenta acelerar evolução antes de sequência decisiva
O Corinthians agora volta as atenções para uma sequência considerada decisiva internamente. Além do compromisso diante do Mixto, pelo Brasileirão Feminino, as Brabas também terão pela frente o clássico contra o Palmeiras pela Copa do Brasil Feminina, tratado como um dos jogos mais importantes deste início de temporada.
A avaliação dentro do clube é de que a evolução defensiva precisa acontecer rapidamente para evitar que o forte poder ofensivo da equipe continue sendo neutralizado pelas falhas nas transições e pela dificuldade de sustentação dos resultados.
Com calendário apertado, pressão crescente e mudanças táticas ainda em assimilação, o Corinthians entra em um momento importante da temporada buscando transformar intensidade ofensiva em equilíbrio competitivo.
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