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Empresário sancionado pelos EUA é réu por lavagem no caso Corinthians-VaideBet

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    Redação InfoTimão
  • há 6 minutos
  • 4 min de leitura

Victor Henrique de Oliveira Shimada foi incluído em lista de sanções do governo dos Estados Unidos ao lado da Victory Trading. No Brasil, empresário responde por lavagem de dinheiro no processo que apura supostos desvios no contrato entre Corinthians e VaideBet.


Em 2025, VaideBet oficializou o fim de parceria com o Corinthians após polêmicas em acordo.
Em 2025, VaideBet oficializou o fim de parceria com o Corinthians após polêmicas em acordo. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, réu por lavagem de dinheiro no caso que investiga o contrato de patrocínio entre Corinthians e VaideBet, foi alvo de sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira, 1º de julho.


A medida foi aplicada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos, conhecido pela sigla OFAC, órgão ligado ao Departamento do Tesouro norte-americano. Além de Shimada, a ação também alcançou Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, a empresa Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda. e outras companhias apontadas pelas autoridades americanas como integrantes da estrutura investigada.


Segundo o Tesouro dos Estados Unidos, Shimada lideraria o núcleo paulista de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação também na Flórida.


O que dizem as autoridades dos Estados Unidos


Em comunicado, o governo norte-americano afirmou que a rede investigada operava a partir de dois centros: a Flórida, nos Estados Unidos, e São Paulo, no Brasil.


De acordo com a versão apresentada pelo Tesouro, Shimada seria um elo entre operadores do PCC sediados na Flórida e traficantes estrangeiros. A acusação é de que sua estrutura teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em cidades norte-americanas, utilizando criptomoedas para enviar valores de volta ao Brasil.


O comunicado também informa que seis integrantes do núcleo baseado na Flórida foram presos pelo FBI em janeiro de 2026 e respondem a acusações de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos.


Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é descrita pelas autoridades americanas como associada próxima e parente de Shimada. Segundo o Tesouro, ela teria atuado como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, oferecendo suporte logístico às operações investigadas.


As sanções bloqueiam eventuais bens dos alvos que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos e restringem transações de pessoas e empresas norte-americanas com os nomes incluídos na lista.


Comunicado dos EUA não cita Corinthians ou VaideBet nominalmente


O comunicado do Departamento do Tesouro faz referência a uma empresa ligada a Shimada que teria sido usada para lavar recursos desviados de um clube brasileiro de futebol em um esquema de fraude publicitária.


O texto, porém, não cita nominalmente o Corinthians nem a VaideBet.


A ligação com o clube do Parque São Jorge aparece no processo brasileiro do caso VaideBet, no qual Shimada se tornou réu por lavagem de dinheiro após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público em julho de 2025.


Para relembrar as etapas da investigação, o indiciamento de Augusto Melo e os desdobramentos políticos no clube, confira a matéria especial do InfoTimão sobre o caso VaideBet.


Como a Victory Trading aparece no caso VaideBet


A investigação brasileira apura o destino de parte dos valores pagos pelo Corinthians à empresa Rede Social Media Design, que figurava como intermediadora do contrato com a VaideBet.


Segundo o Ministério Público, a Rede Social recebeu duas parcelas de R$ 700 mil, totalizando R$ 1,4 milhão. Depois, parte dos recursos passou por outras empresas, incluindo a Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda., antes de chegar a companhias citadas na investigação.


A Polícia Civil e o Ministério Público apontaram que a Victory Trading fez parte do fluxo financeiro analisado no caso. A empresa teria transferido R$ 200 mil para a UJ Football Talent Intermediação, agência de jogadores que recebeu, ao todo, R$ 1.074.150 de valores rastreados a partir dos pagamentos feitos pelo Corinthians.


Na denúncia, o Ministério Público sustenta que as empresas envolvidas foram usadas para dificultar o rastreamento e dissimular a origem dos recursos. Shimada e Ulisses de Souza Jorge, ligado à UJ Football, se tornaram réus por lavagem de dinheiro.


Atenção à identificação das empresas chamadas de Wave


Há uma distinção importante na apuração.


No processo brasileiro ligado à VaideBet, os investigadores mencionam a empresa Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada em movimentações financeiras com a Victory Trading e a UJ Football Talent.


Já a lista divulgada pela OFAC inclui a empresa Wave Construções Inteligentes Ltda. entre as companhias sancionadas ao lado de Shimada.


Como os documentos públicos citam denominações empresariais diferentes, o InfoTimão trata cada referência de forma individual e não afirma, sem documentação específica, que se trata automaticamente da mesma empresa.


UJ Football e as citações em apurações sobre o PCC


A UJ Football Talent foi mencionada no acordo de colaboração premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, empresário assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos.


Segundo a colaboração, a empresa teria sido utilizada em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao tráfico. Essa informação foi incorporada aos elementos analisados pela Polícia Civil no caso VaideBet.


A investigação não afirma que Victor Shimada seja integrante da hierarquia do PCC. O que consta nos autos é a suspeita de que ele estaria inserido em fluxos financeiros que se cruzam com empresas e pessoas citadas em apurações sobre a facção.


O que muda para o Corinthians?


A sanção americana não atinge o Corinthians e não altera automaticamente o processo criminal que tramita no Brasil.


O novo desdobramento, porém, amplia a atenção sobre um dos réus do caso VaideBet e sobre a Victory Trading, empresa citada no caminho financeiro investigado pelas autoridades brasileiras.


No processo, o Ministério Público considera o Corinthians vítima do suposto esquema e pediu uma indenização mínima de R$ 40 milhões. O valor reúne os R$ 1,4 milhão pagos à Rede Social Media Design e a multa desembolsada pelo clube após o rompimento do contrato anterior com a Pixbet.


Os réus têm direito à ampla defesa e ainda não há decisão definitiva no processo criminal.


Defesa de Victor Shimada


Em nota divulgada à imprensa após o anúncio das sanções, a defesa de Shimada afirmou que tomou conhecimento da medida pela imprensa e que ainda não teve acesso aos documentos oficiais que fundamentaram a decisão das autoridades norte-americanas.


Os advogados também afirmaram que o empresário nega envolvimento com organização criminosa ou prática de lavagem de dinheiro e que pretende esclarecer os fatos pelos meios legais.


O InfoTimão seguirá acompanhando os desdobramentos do caso VaideBet e as possíveis repercussões para o Corinthians.

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