Emily Lima valoriza vitória, mas cobra maior controle do Corinthians contra o Bahia

Técnica das Brabas analisou dificuldades na Fonte Nova e apontou posse de bola, transições e controle do meio-campo como pontos de atenção para a semifinal decisiva

A vitória por 1 a 0 sobre o Bahia colocou o Corinthians em vantagem na semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino, mas também deixou pontos de atenção para o confronto decisivo. Após a partida de terça-feira (15), na Arena Fonte Nova, Emily Lima valorizou o resultado conquistado fora de casa, mas reconheceu que as Brabas não conseguiram controlar o jogo da maneira planejada.
Com gol de Jhonson ainda no primeiro tempo, o Corinthians venceu o Bahia e largou na frente na semifinal. Agora, a equipe alvinegra joga pelo empate na próxima segunda-feira (21), às 21h30, na Neo Química Arena, para garantir presença na decisão.
Emily deixou Salvador satisfeita principalmente por dois fatores: a vitória como visitante e o fato de o Corinthians não ter sofrido gols. Ao mesmo tempo, a treinadora admitiu que o Bahia conseguiu impor sua proposta em diferentes momentos do confronto.
“Eu saio satisfeita pelo resultado. Eu acho que a gente tem que jogar com o regulamento ao nosso favor, vir aqui, sair com resultado positivo e não levar gol. Então, por esse ponto, eu acho que é muito positivo”, avaliou.
Assista à coletiva de Emily Lima
Emily valoriza vitória, mas admite falta de controle
O principal ponto de atenção destacado pela treinadora foi justamente aquilo que o Corinthians pretendia fazer e não conseguiu sustentar durante a partida: ter a bola e controlar o ritmo do confronto.
Segundo Emily, a necessidade de conservar mais a posse havia sido trabalhada ao longo da preparação e voltou a ser reforçada no intervalo. O Bahia, porém, conseguiu assumir o controle principalmente no meio-campo e dificultar a construção ofensiva das Brabas.
“Depois a gente acaba não controlando o jogo. Isso foi algo que a gente falou muito durante a semana. No intervalo, a gente tenta corrigir algumas coisas, principalmente o ter a bola. Era muito importante a gente ter a bola hoje aqui”, explicou.
A treinadora também destacou que o comportamento apresentado pelo Bahia não surpreendeu a comissão técnica. Corinthians e Bahia já haviam se enfrentado na Fonte Nova um mês antes, pela primeira fase do Brasileiro Feminino, e Emily afirmou que a equipe baiana possui uma proposta bem definida.
“É uma equipe que tem muito claro o que vai fazer. O Bahia conseguiu controlar, em muitos momentos do jogo, principalmente o meio de campo”, analisou.
Para a técnica das Brabas, impedir que o Bahia encontre conforto justamente nesse setor será uma das principais tarefas para o confronto de volta.
O que o Corinthians precisa corrigir para a volta
Emily detalhou alguns dos problemas encontrados pelas Brabas na Fonte Nova. Entre eles estão as triangulações do Bahia pelo meio, a disputa pela primeira e pela segunda bola e os espaços concedidos pelos lados do campo.
O Corinthians atuou com três zagueiras e alas, estrutura que pode deixar os corredores laterais mais vulneráveis quando a equipe não consegue controlar o setor central.
“Hoje, a gente jogando com três zagueiras e com alas, os corredores laterais ficam vulneráveis. É onde elas conseguem atacar e onde elas gostam muito de atacar dentro da proposta do Bahia”, explicou.
A ideia para a volta, portanto, passa por reduzir os espaços entre os setores e evitar que o adversário consiga construir por dentro antes de explorar os lados.
“O que a gente precisa ajustar para o jogo em casa é tentar controlar esse jogo na nossa casa. É minimizar esses grandes problemas que nós tivemos muitas vezes de meio de campo, triangular por dentro”, afirmou.
Emily utilizou os confrontos contra o Cruzeiro, pelas quartas de final, como referência. Naquela eliminatória, o Corinthians conseguiu controlar melhor a região central e venceu as duas partidas, garantindo a classificação com vantagem no placar agregado.
“Contra o Cruzeiro, a gente conseguiu controlar totalmente os dois jogos por dentro, e é muito parecido com o que a gente precisa fazer com o Bahia”, comparou.
Além da ocupação do meio-campo, a treinadora ressaltou a importância de competir melhor pela primeira e pela segunda bola, característica forte da equipe baiana e que pode determinar quem assume o controle territorial da partida.
Transições entram no foco antes da decisão
Outro ponto abordado por Emily foi a velocidade do Bahia nas transições ofensivas.
A técnica explicou que o Corinthians precisa pressionar rapidamente a portadora da bola quando perde a posse. Na linguagem utilizada pela comissão técnica, é necessário deixar a bola “tapada”, reduzindo a possibilidade de passes longos em direção às jogadoras mais rápidas do adversário.
“Se a gente não tapa a bola ou se a gente não cobre a bola, a bola fica destapada e a transição, quando é longa, vai acontecer”, explicou.
O comportamento será reforçado durante a preparação para a partida decisiva. Emily resumiu a ideia como “perde e reage”: após perder a posse, as Brabas precisam pressionar imediatamente ou ao menos retardar o avanço do Bahia até recuperar a organização defensiva.
Curiosamente, o próprio gol que definiu a vitória na Fonte Nova mostrou aquilo que o Corinthians deseja executar do outro lado do campo.
A jogada de Jhonson nasceu de uma recuperação de bola seguida por uma transição ofensiva rápida e objetiva, antes que o Bahia conseguisse reorganizar sua defesa.
“O nosso gol sai em uma organização delas e uma transição ofensiva nossa, que é recuperar bola e fazer o ataque rápido. Muito objetivo”, destacou Emily.
Para a treinadora, o lance mostrou a eficiência do Corinthians quando consegue recuperar a posse próximo ao gol adversário e acelerar imediatamente.
“Hoje a gente foi muito eficaz nesse momento do jogo, que foi recuperar e conseguir uma transição ofensiva muito mais próxima do gol adversário”, completou.
Brabas decidem vaga na Neo Química Arena
A vitória em Salvador permite ao Corinthians jogar pelo empate na Neo Química Arena. O Bahia precisa vencer por um gol de diferença para levar a definição da vaga aos pênaltis ou por dois ou mais para avançar diretamente.
Apesar da vantagem, Emily deixou claro que o objetivo não será apenas administrar o placar conquistado fora de casa. A treinadora espera um Corinthians capaz de controlar melhor a posse, reduzir os espaços e impedir que o Bahia encontre as situações nas quais mais conseguiu incomodar na Fonte Nova.
“A gente, em casa, não pode deixar isso acontecer. Então acho que é mais controlar isso e, se Deus quiser, em casa poder sair com essa classificação para a final”, concluiu.
Corinthians e Bahia voltam a se enfrentar na segunda-feira (21), às 21h30, na Neo Química Arena. Se confirmar a classificação, o Timão chegará à décima final consecutiva do Campeonato Brasileiro Feminino.
O InfoTimão acompanha a preparação das Brabas para o confronto decisivo e traz todas as informações, bastidores e repercussões da semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino.






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