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Documentos revelam entraves internos e gastos pessoais na viagem do basquete do Corinthians ao Equador

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Redação InfoTimão
há 2 horas
7 min de leitura

Registros apontam demora em aprovações, cartão corporativo sem saldo, seguro pendente e despesas pessoais durante a Liga Sul-Americana.


Problemas enfrentados pela equipe de Basquete do Corinthians no Equador reforçam cenário administrativo complicado do clube e que os impactos atingem atletas e staff.
Problemas enfrentados pela equipe de Basquete do Corinthians no Equador reforçam cenário administrativo complicado do clube e que os impactos atingem atletas e staff. Foto: Evander Portilho / Agência Corinthians

A participação do Corinthians na Liga Sul-Americana de Basquete de 2026 foi marcada por problemas que ultrapassaram os resultados dentro de quadra.


Documentos internos, e-mails e relatos analisados apontam uma sequência de entraves burocráticos, financeiros e logísticos durante a organização e a execução da viagem para Loja, no Equador.


Os registros mostram dificuldades envolvendo a aprovação das passagens, disponibilidade de recursos no cartão corporativo, contratação do seguro dos atletas e definição de despesas essenciais para a delegação. Durante a viagem, jogadores e integrantes da comissão técnica foram divididos em diferentes itinerários, chegaram ao destino em momentos distintos e também enfrentaram problemas no retorno ao Brasil.


Parte das informações sobre os transtornos foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo e posteriormente confirmada pelo InfoTimão. A informação obtida pelo portal acrescenta, porém, uma cronologia que ajuda a compreender como a operação se desenvolveu antes mesmo do embarque.


Um dos principais pontos é que o pedido para aquisição das passagens, estimado em R$ 127,6 mil, foi protocolado em 1º de setembro, mais de um mês antes da estreia do Corinthians na competição. Os registros indicam que a solicitação passou posteriormente por diferentes etapas internas de aprovação.


O documento coloca sob questionamento o fluxo percorrido entre a formalização da demanda e a conclusão da operação. A documentação disponível não permite atribuir isoladamente a responsabilidade pelos atrasos a uma única área ou pessoa, mas mostra que pendências administrativas permaneceram abertas até poucos dias antes da viagem.


Pedido de passagens foi protocolado em setembro


A Liga Sul-Americana seria disputada entre os dias 9 e 11 de outubro, mas o processo interno relacionado às passagens aparece nos registros desde 1º de setembro.


O pedido tinha valor estimado em R$ 127,6 mil e envolvia o transporte da delegação até Loja, cidade localizada no interior do Equador e distante da capital Quito.


Por conta das características do destino e do custo das passagens, a logística exigia diferentes conexões. O cenário acabou resultando na divisão da delegação em três grupos, com itinerários distintos.


Parte dos integrantes viajou passando pelo Panamá, outro grupo fez conexão na Colômbia e um terceiro seguiu por Quito. As diferenças nos trajetos também fizeram com que jogadores e comissão técnica chegassem a Loja em horários e até dias diferentes.


Segundo relatos ao InfoTimão, as etapas internas de aprovação seguiram em andamento nas semanas posteriores à abertura da solicitação.


Gerente alertou diretoria sobre problemas antes do embarque


Em um e-mail encaminhado à diretoria em 2 de outubro, Gustavo Podence de Freitas, o Montanha, gerente de basquete do Corinthians, relatou preocupações relacionadas à operação preparada para a competição.


De acordo com a mensagem, estavam entre os pontos de atenção as longas horas de deslocamento, a divisão da delegação em três grupos e questões envolvendo uniformes, agasalhos, hospedagem e alimentação.


A fragmentação da viagem também gerava preocupação esportiva, já que a comissão técnica poderia chegar ao Equador antes de parte dos jogadores.


O cenário acabou se confirmando. Com a delegação chegando em momentos distintos, Jece Leite não teve todo o elenco disponível simultaneamente durante parte da preparação que antecedeu a estreia.


O Corinthians entrou em quadra pela primeira vez no dia 9 de outubro, contra o Jorge Guzmán, equipe anfitriã do Grupo B.


Registros apontam cartão corporativo sem saldo


Outro documento aponta que algumas providências ainda não estavam solucionadas poucos dias antes da viagem.


Em mensagem registrada em 6 de outubro e atribuída à gerente Rosane Cândido, consta que determinados serviços essenciais permaneciam pendentes porque não havia saldo disponível no cartão de crédito corporativo utilizado pelo clube.


Segundo o registro, a limitação impedia a conclusão de despesas necessárias para uma operação que envolvia fornecedores, deslocamentos internacionais, hospedagem e alimentação.


A documentação não permite concluir, por si só, por qual motivo o cartão estava sem saldo ou atribuir a responsabilidade pela situação a uma pessoa específica. O que o e-mail evidencia é que, a poucos dias do embarque, serviços necessários à viagem ainda aguardavam uma solução interna.


Seguro dos atletas ainda aguardava assinatura


Os registros também apontam pendências relacionadas ao seguro de vida da delegação.


Segundo a documentação, o serviço tinha valor de R$ 2.659,09, mas sua aprovação ainda aguardava assinatura às vésperas do embarque.


Assim como no processo das passagens e na questão do cartão corporativo, o episódio mostra que diferentes etapas administrativas ainda estavam em andamento quando a equipe já se aproximava da viagem internacional.


Delegação foi dividida e chegou ao Equador em momentos diferentes


Na prática, os entraves administrativos se refletiram diretamente na logística da delegação.


O grupo corinthiano foi separado em três itinerários, com conexões e horários distintos até a chegada a Loja.


O formato também teve impacto na preparação esportiva. A comissão técnica chegou antes de alguns jogadores, e Jece Leite não contou imediatamente com todo o elenco para realizar os últimos trabalhos antes da estreia.


Dentro de quadra, o Corinthians começou a competição com uma derrota por 97 a 96 para o Jorge Guzmán, depois de liderar por boa parte da partida.


Na sequência, o Timão perdeu para o Nacional, do Uruguai, por 97 a 90, e venceu o Regatas Corrientes, da Argentina, por 79 a 63.


A combinação dos resultados deixou o Corinthians na terceira colocação do Grupo B e confirmou a eliminação ainda na primeira fase da Liga Sul-Americana.


Problemas se repetiram no retorno ao Brasil


Os contratempos não terminaram com o encerramento da competição.


Na viagem de volta, a delegação foi novamente dividida em diferentes grupos e enfrentou cancelamentos, alterações de voos e problemas relacionados às bagagens.


Um dos grupos, formado por sete atletas, teve o voo cancelado. Posteriormente, os jogadores foram redistribuídos em outras opções de retorno e chegaram ao Brasil sem suas malas.


Outra parte da delegação conseguiu retornar normalmente, enquanto um terceiro grupo precisou permanecer mais tempo fora do país e embarcou apenas posteriormente.


Jece Leite também enfrentou dificuldades para regressar ao Brasil. De acordo com os registros apresentados, parte das soluções necessárias para garantir o retorno de integrantes da delegação exigiu o uso de recursos particulares de profissionais do departamento.


Gustavo Freitas gastou mais de R$ 18 mil do próprio bolso


Segundo o levantamento de despesas apresentado após a viagem, Gustavo Freitas desembolsou R$ 18.265,47 com recursos próprios para lidar com necessidades relacionadas à operação.


Os registros incluem gastos com passagens, remarcações e cancelamentos de voos, diferenças tarifárias, excesso de bagagem, hospedagem, alimentação, lavanderia, chip de telefone e transporte por aplicativo, entre outras despesas.


A documentação também relata situações em que integrantes da comissão técnica recorreram a recursos pessoais para solucionar necessidades imediatas.


Parte desses pagamentos ocorreu durante o retorno, quando cancelamentos e alterações de última hora exigiram novas providências para que jogadores e funcionários conseguissem voltar ao Brasil.


O que diz o Corinthians


Procurado sobre os problemas logísticos, o Corinthians reconheceu que a delegação enfrentou contratempos durante a disputa da Liga Sul-Americana.


O clube destacou a dificuldade de acesso a Loja, localizada a mais de 500 quilômetros de Quito, e afirmou que acompanhou a situação da equipe profissional durante a competição.


Em relação aos processos administrativos, o Corinthians informou que as compras passam por fluxos internos de aprovação envolvendo setores como Compliance, Financeiro e Administrativo, com o objetivo de garantir controle e alinhamento das operações.


O clube também confirmou que profissionais utilizaram recursos próprios para despesas relacionadas à viagem e garantiu que os valores serão reembolsados.


O posicionamento, porém, não detalha por que solicitações iniciadas semanas antes da competição ainda apresentavam pendências próximas ao embarque.


Relatório relata falta de contato após retorno


Em documento elaborado após a viagem, Gustavo Freitas também registra insatisfação com o suporte recebido pela delegação.


Segundo o relato do gerente, nenhum dirigente teria procurado o departamento após o retorno ao Brasil para saber como jogadores e integrantes da comissão técnica haviam chegado ou em quais condições estavam.


A afirmação representa a versão apresentada por Gustavo no relatório e integra o conjunto de documentos analisados pelo InfoTimão.


O relato também descreve a necessidade de integrantes do próprio departamento assumirem despesas emergenciais para solucionar problemas durante o deslocamento.


Victor Sarro critica episódio e manifesta solidariedade


Os problemas enfrentados pelo Corinthians também repercutiram fora do Parque São Jorge.


Victor Sarro, presidente da sociedade responsável pelo Mogi Basquete e corinthiano declarado, publicou um pronunciamento no qual criticou as condições enfrentadas pela delegação alvinegra e manifestou solidariedade aos jogadores e à comissão técnica.


O dirigente mencionou a divisão dos atletas em diferentes voos, o impacto da logística na preparação, os problemas no retorno e a necessidade de profissionais utilizarem recursos próprios.


Sarro também ampliou a discussão para o tratamento destinado ao basquete no país e defendeu maior exposição dos problemas estruturais enfrentados pela modalidade.


A manifestação aconteceu antes da estreia das equipes no NBB 2026/27. No último sábado (17), o Corinthians foi derrotado pelo Mogi por 84 a 73, no Ginásio Hugo Ramos.



Problemas ocorrem em meio a redução no orçamento do basquete


Problemas ocorrem apesar de novo patrocínio e em meio a corte no orçamento

Os episódios registrados durante a viagem ao Equador acontecem em um momento de reestruturação financeira do basquete do Corinthians.


Para a temporada 2026/27, o departamento teve seu orçamento anual reduzido de aproximadamente R$ 11,8 milhões para R$ 6,6 milhões, corte próximo de 44%. A adequação provocou mudanças no projeto, entre elas o encerramento da equipe feminina, saídas no elenco profissional masculino e maior utilização de atletas formados nas categorias de base.


Paralelamente à redução de custos, a diretoria também buscou novas receitas para sustentar as modalidades. Em junho, o Corinthians fechou um acordo de patrocínio com a Fatal Fans, apresentado pela gestão como uma fonte importante de recursos para áreas como basquete, futsal e futebol feminino.


Na ocasião, o presidente Osmar Stabile destacou publicamente que o contrato ajudaria a garantir estrutura e continuidade aos esportes que não pertencem ao futebol profissional masculino. Conforme publicado pelo InfoTimão à época, o acordo previa um investimento considerado relevante justamente para modalidades que vinham enfrentando dificuldades financeiras dentro do clube.


Poucos meses depois, porém, os documentos relacionados à viagem para a Liga Sul-Americana mostram que o basquete ainda convivia com dificuldades operacionais e de disponibilidade imediata de recursos. Os registros apontam serviços pendentes por falta de saldo disponível no cartão corporativo, aprovações ainda em andamento às vésperas do embarque e despesas emergenciais pagas com recursos particulares de integrantes do departamento.


O contraste, entretanto, amplia os questionamentos sobre o fluxo interno de aprovação, a disponibilidade dos recursos destinados à modalidade e as condições oferecidas ao departamento para executar uma competição internacional.


No início de outubro, o Corinthians apresentou oficialmente o elenco para a temporada 2026/27 e detalhou o novo cenário financeiro da modalidade. Os documentos relacionados à Liga Sul-Americana acrescentam agora outro elemento a esse contexto: dificuldades administrativas e logísticas durante uma das principais viagens internacionais do calendário.


O Corinthians volta às quadras nesta quinta-feira (22), às 20h15, contra o Brasília, fora de casa, pela segunda rodada do NBB 2026/27.


O InfoTimão seguirá acompanhando os desdobramentos dos problemas registrados na viagem, o processo de reembolso das despesas realizadas por profissionais e eventuais providências adotadas internamente pelo Corinthians.


InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

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