Diniz diz que Memphis se sente “a pior pessoa do mundo” e assume responsabilidade por falta de soluções no Corinthians

Técnico explicou escolha do holandês para o pênalti, rejeitou responsabilizá-lo pela eliminação e falou sobre Yuri Alberto, transfer ban e limitações do elenco

Fernando Diniz saiu em defesa de Memphis Depay depois da eliminação do Corinthians para o Estudiantes nas quartas de final da CONMEBOL Libertadores. O treinador revelou que o camisa 10 estava “se sentindo a pior pessoa do mundo” após desperdiçar o pênalti no último lance e reforçou que a queda não pode ser atribuída apenas ao holandês.
Diniz também explicou que Memphis já era um dos cobradores definidos, ao lado de Rodrigo Garro, assumiu responsabilidade pela dificuldade do time em encontrar soluções e admitiu que o Corinthians teria buscado até quatro reforços se não enfrentasse o transfer ban e tivesse recursos para contratar.
A entrevista aconteceu depois da derrota por 1 a 0 para o Estudiantes na Neo Química Arena, resultado que encerrou a campanha alvinegra na competição continental.
Assista à coletiva completa
“Pior pessoa do mundo”: Diniz relata abatimento de Memphis após pênalti perdido
Memphis permaneceu ajoelhado no gramado após o fim da partida e recebeu o apoio de companheiros e integrantes da comissão técnica.
Questionado sobre a conversa com o atacante, Diniz revelou o impacto emocional do erro.
“Não tem muita conversa, eu abracei o Memphis, o cara está se sentindo a pior pessoa do mundo nesse momento, porque parece que caiu tudo sobre ele, e não é assim.”
O treinador também valorizou a responsabilidade assumida pelo camisa 10 em um dos momentos mais tensos da temporada.
“Quando bater pênalti o cara tem que ter muita coragem para bater, e ele tem a coragem para bater, e errou, e erra esse pênalti, quantos jogadores estrelados que a gente tem na história do futebol mundial erraram pênaltis importantes, e hoje foi o dia dele errar.”
Na visão de Diniz, a eliminação não pode ser resumida à cobrança desperdiçada. O técnico lembrou que o Corinthians sofreu um gol evitável e também produziu pouco ofensivamente antes de receber a oportunidade de empatar no último lance.
Memphis já era um dos batedores definidos do Corinthians
A decisão de Memphis assumir a cobrança não foi improvisada.
Diniz explicou que o holandês e Rodrigo Garro eram os dois nomes preparados para uma eventual disputa por pênaltis.
“Ele é o batedor, ele bate, batedor ele e o Garro, se tivesse cobrança de pênalti, ele e o Garro, um dos dois ia bater o primeiro pênalti, outro ia bater o segundo.”
O treinador reforçou que Memphis já trabalha esse tipo de situação nos treinamentos.
“Não teve nada que ele pegou a bola porque ele quis bater, ele é um cara que é acostumado a bater pênalti, assim como o Garro, qualquer um dos dois poderiam bater.”
Diniz também rejeitou a tentativa de relacionar diretamente o erro às questões físicas e extracampo que envolveram Memphis nos últimos meses.
“Perdeu o pênalti porque ele pegou a bola, bateu e perdeu.”
O treinador ainda recordou que o atacante havia sido decisivo contra o Rosario Central, nas oitavas, quando participou do lance que terminou no gol de Breno Bidon.
Diniz rejeita que Corinthians tenha se “acovardado”
A pouca produção ofensiva do Corinthians também foi tema da coletiva.
Diniz rejeitou a avaliação de que a equipe tenha se acovardado diante da própria torcida. Para o treinador, o problema esteve principalmente na dificuldade de encontrar espaços diante da defesa argentina.
“Eu não acho que o time se acovardou, o time não estava encontrando soluções para poder furar a defesa, então foi um jogo equilibrado de poucas oportunidades, poucas finalizações, poucas chances para os dois times.”
O treinador comparou o cenário aos confrontos contra o Rosario Central e argumentou que jogos eliminatórios da Libertadores tendem a ser mais estudados e com menos espaços.
Diniz também contestou a avaliação de que o Estudiantes tenha sido superior ao longo dos dois jogos.
“Se o Memphis tivesse feito o pênalti e a gente ganhado, as perguntas seriam outras, o resultado ele acaba sendo muito senhor das análises.”
Diniz assume responsabilidade pela falta de soluções
Apesar de defender a entrega dos jogadores, Diniz reconheceu sua parcela de responsabilidade pelo momento ruim do Corinthians.
“Eu tenho uma responsabilidade grande, a gente não conseguiu encontrar soluções.”
Segundo o treinador, algumas derrotas recentes tiveram problemas diferentes.
Contra Chapecoense, Santos e Coritiba, por exemplo, Diniz enxergou falta de energia e imposição física. Diante do Estudiantes, a avaliação foi outra.
“Hoje, a gente faltou inspiração, a gente tinha que ser mais agressivo na hora de terminar as jogadas, preencher mais a área.”
Diniz afirmou que pretende continuar alterando mecanismos ofensivos para recuperar a capacidade de criação.
“Eu vou buscar soluções, eu estou buscando soluções de maneiras diferentes para poder o time voltar a ter fluência, criar chances de gol e fazer os gols.”
Yuri Alberto fez “muita falta” ao Corinthians
Entre os desfalques que afetaram o funcionamento ofensivo do time, Diniz destacou especialmente Yuri Alberto.
O centroavante ficou fora da eliminatória contra o Estudiantes por causa de uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita.
“Acho que o Yuri é um jogador que faz muita falta, muita falta mesmo, e é um jogador muito específico para aquela posição, a maneira como ele joga, como ele ataca espaço, como ele incomoda o adversário.”
O próprio treinador reconheceu que o Corinthians não conseguiu compensar adequadamente a ausência.
“Acabou fazendo mais falta do que deveria, a gente não conseguiu também encontrar soluções para resolver esse problema.”
Diniz diz que Corinthians teria buscado até quatro reforços sem transfer ban e com caixa
Um dos pontos mais relevantes da coletiva foi a avaliação sobre a montagem do elenco.
Diniz admitiu que o Corinthians pretendia reforçar o grupo, mas esbarrou tanto no transfer ban quanto nas limitações financeiras.
“Obviamente, se a gente não tivesse o transfer ban e tivesse caixa, a gente teria contratado não muita gente, mas, assim, três, quatro peças.”
Segundo o treinador, a necessidade de aumentar o elenco já era um consenso desde sua chegada ao clube.
Além da impossibilidade de contratar, Diniz destacou que o Corinthians perdeu jogadores importantes justamente durante o período mais delicado da temporada.
“Além da gente não conseguir contratar, a gente perdeu alguns jogadores importantes, bem nesse período aqui mais duro para nós.”
Problemas institucionais coincidiram com queda dentro de campo
Diniz também falou abertamente sobre as dificuldades financeiras e institucionais vividas pelo Corinthians.
O técnico reconheceu que existem problemas que fogem ao alcance da comissão técnica.
“A situação do Corinthians, institucionalmente, é uma situação difícil, porque é muita dívida.”
Na avaliação do treinador, diferentes dificuldades passaram a se acumular justamente quando a equipe começou a apresentar piora esportiva.
“Teve muita coisa institucionalmente, e junto, no mesmo momento, o problema do campo, aí outro problema, aí entrar o salário, então, todas essas coisas se avolumaram e coincidiram com esse momento ruim que a gente está vivendo dentro do campo.”
Apesar do cenário, Diniz afirmou continuar acreditando na recuperação da equipe.
Diniz fala em “tristeza profunda” após eliminação
O abatimento do treinador também ficou evidente durante a entrevista.
Questionado sobre seu comportamento mais contido depois da eliminação, Diniz explicou que o tom refletia o momento vivido pelo clube.
“O tom da minha voz é um tom de tristeza profunda.”
O treinador comparou a fase atual com o início de seu trabalho, quando o Corinthians acumulava vitórias, tinha o elenco mais completo e ganhava confiança rodada após rodada. Agora, Diniz admite viver um cenário oposto.
Corinthians precisa reagir no Brasileirão
Eliminado da Libertadores e também fora da Copa do Brasil, o Corinthians passa a ter o Campeonato Brasileiro como foco principal para o restante da temporada.
Diniz reconheceu o impacto da eliminação, mas afirmou que o elenco precisa encontrar forças para reagir.
“É sempre difíceis esses momentos, mas a gente agora tem que saber enfrentar, saber sofrer com o que aconteceu, está todo mundo muito triste.”
O treinador também cobrou uma mudança imediata na competição nacional.
“A gente tem que melhorar o Campeonato, a gente tem uma sequência muito ruim, é o time se juntar, se fortalecer para terminar a temporada de maneira digna.”
O Corinthians volta a campo neste domingo, às 16h, contra o Fluminense, na Neo Química Arena, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Depois da eliminação continental e da sequência negativa, a partida passa a representar o início da tentativa de recuperação alvinegra na reta final da temporada.
O InfoTimão acompanha a repercussão da coletiva de Fernando Diniz, os desdobramentos da eliminação na Libertadores e a preparação do Corinthians para a sequência do Campeonato Brasileiro.






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