CBF aciona MP contra líder dos Gaviões e Polícia Civil monitora jogo do Corinthians

Representação contra Alexandre Domênico mobiliza autoridades antes de Corinthians x Mirassol; Camisa 12 também sofre restrições até o fim de 2026.

A Polícia Civil de São Paulo está de sobreaviso para Corinthians x Mirassol, marcado para esta sexta-feira (30), às 20h, na Neo Química Arena, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. A Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE) informou que adota medidas preventivas de polícia judiciária após a repercussão de uma publicação de Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente dos Gaviões da Fiel, direcionada à arbitragem.
O episódio levou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a apresentar uma representação criminal ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), solicitando a apuração das declarações do dirigente e providências para reforçar a segurança das equipes de arbitragem. Em uma publicação no Instagram, Alê mencionou o recebimento de informações sobre os locais de hospedagem dos árbitros e afirmou que a insatisfação dos torcedores havia chegado a um nível difícil de controlar. Posteriormente, negou ter feito qualquer ameaça.
A movimentação das autoridades acontece em meio à crise esportiva do Corinthians e coincide com outra decisão envolvendo suas arquibancadas. A Federação Paulista de Futebol (FPF) determinou, também nesta semana, restrições à presença identificada da torcida organizada Camisa 12 nos estádios até o fim de 2026. Embora os acontecimentos envolvam torcidas do mesmo clube e a atuação do Ministério Público, os procedimentos são independentes e possuem motivações e consequências distintas.
Polícia Civil fica de sobreaviso para Corinthians x Mirassol
A DRADE confirmou que acompanha a situação às vésperas da partida na Neo Química Arena, considerando tanto o momento do Corinthians no Campeonato Brasileiro quanto a repercussão das manifestações recentes nas redes sociais.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Polícia Civil informou que está atenta ao cenário e que adota medidas preventivas de polícia judiciária destinadas a identificar e coibir eventuais condutas criminosas, buscando preservar a segurança e a ordem durante o confronto.
A corporação também confirmou que trabalha de maneira integrada com as autoridades competentes. Em manifestação à ESPN, afirmou que eventuais providências relacionadas à publicação de Alexandre Domênico serão avaliadas dentro dos parâmetros legais.
A atuação anunciada pela DRADE não deve ser confundida com a confirmação de um esquema extraordinário de policiamento ostensivo na Neo Química Arena. Até o momento, não foram detalhadas publicamente alterações específicas na operação de segurança do estádio em decorrência da representação apresentada pela CBF.
O acompanhamento das autoridades ocorre em um contexto de elevada pressão esportiva. Sem vencer há dez rodadas, o Corinthians ocupa a 18ª colocação do Brasileirão, com 33 pontos, e enfrenta justamente o Mirassol, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, com 37.
Além disso, o confronto marcará o primeiro encontro de Clarence Seedorf com a Fiel Torcida na Neo Química Arena desde que assumiu o comando técnico da equipe. O treinador estreou à beira do campo na derrota por 3 a 2 para o Vasco, em São Januário, e agora terá a oportunidade de buscar sua primeira vitória diante da torcida alvinegra.
CBF pede investigação contra Alexandre Domênico e proteção à arbitragem
A Confederação Brasileira de Futebol protocolou na noite de quinta-feira (29) uma representação criminal e um pedido de providências junto ao Ministério Público de São Paulo contra Alexandre Domênico.
A iniciativa foi motivada por uma publicação realizada pelo dirigente em seu perfil pessoal no Instagram, na qual criticou decisões de arbitragem em jogos do Corinthians e fez referência a informações sobre os locais onde os profissionais estariam hospedados antes das partidas.
Na avaliação da CBF, o conteúdo apresenta elementos potencialmente intimidatórios e deve ser examinado pelas autoridades para verificar se houve alguma infração penal ou violação à Lei Geral do Esporte.
A entidade solicitou a instauração de um procedimento investigatório criminal ou a requisição de abertura de inquérito policial para esclarecer os acontecimentos e identificar possíveis responsabilidades.
Entre os pedidos apresentados estão a preservação de dados relacionados à publicação, a investigação sobre a origem das informações referentes à hospedagem dos árbitros e a possibilidade de ouvir Alexandre Domênico, outros dirigentes dos Gaviões da Fiel e profissionais da arbitragem envolvidos no episódio.
A confederação também requereu a adoção de providências para reforçar a segurança das equipes de arbitragem nos próximos compromissos do Corinthians, incluindo proteção nos estádios, nos locais de hospedagem e durante os deslocamentos.
A representação menciona especificamente os confrontos contra o Mirassol, nesta sexta-feira (30), e contra o São Paulo, marcado para 4 de novembro, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Outra solicitação envolve a avaliação de medidas cautelares contra o dirigente, como restrições de acesso aos estádios e de aproximação ou contato com integrantes das equipes de arbitragem. A CBF também pediu a análise de eventuais medidas de responsabilização nas esferas cível e coletiva contra os Gaviões da Fiel e dirigentes que possam ter participação nos fatos.
Os pedidos apresentados pela CBF não representam medidas judiciais já determinadas nem uma condenação de Alexandre Domênico. A eventual abertura de investigação, a aplicação de restrições e qualquer responsabilização dependerão da análise das autoridades competentes e do devido processo legal.
Antes mesmo do protocolo da representação, integrantes do Ministério Público paulista haviam discutido o episódio com representantes da Federação Paulista de Futebol. Na ocasião, foi definido o envio de um ofício para que o presidente dos Gaviões da Fiel apresentasse esclarecimentos no prazo de cinco dias.
O que Alexandre Domênico publicou sobre a arbitragem?
A publicação que motivou a representação foi divulgada por Alê em um story de seu perfil pessoal no Instagram, após uma sequência de reclamações sobre decisões de arbitragem envolvendo o Corinthians.
Na mensagem, o dirigente escreveu:
“E a arbitragem, a cota de vocês roubarem a gente dentro da arena já deu também, viu! Recebemos muitas mensagens de até onde vcs se hospedam antes do jogo, tenham responsabilidade fora e principalmente dentro da nossa casa, isso não é uma ameaça, só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa!!!”

A referência às informações sobre hospedagem é um dos pontos centrais da controvérsia. Para a CBF, a menção aos locais onde os árbitros permanecem antes das partidas, associada às advertências públicas, exige apuração sobre a possibilidade de intimidação.
A investigação solicitada deverá esclarecer se essas informações chegaram efetivamente ao dirigente, como teriam sido obtidas e se houve alguma conduta passível de responsabilização.
Presidente dos Gaviões nega ameaça e afirma que falou como torcedor
Após a repercussão da publicação, Alexandre Domênico divulgou um novo posicionamento nas redes sociais, no qual negou ter ameaçado árbitros e procurou contextualizar suas declarações.
O presidente dos Gaviões da Fiel afirmou que a postagem foi realizada em sua conta pessoal e não representava um posicionamento institucional da torcida organizada. Segundo ele, a mensagem foi escrita em um momento de indignação diante de decisões de arbitragem que considera prejudiciais ao Corinthians.
Alê argumentou que sua insatisfação não se limita a um episódio isolado. O dirigente citou a longa sequência de partidas sem pênaltis marcados a favor do Timão no Campeonato Brasileiro e mencionou lances recentes que, em sua avaliação, alimentaram a sensação de injustiça entre os torcedores.
Na manifestação, também questionou a interpretação da expressão utilizada para criticar os árbitros, sustentando que esse tipo de linguagem faz parte das reclamações habituais de torcedores durante partidas de futebol.
Sobre a referência aos hotéis, afirmou que mencionou mensagens recebidas de outros corinthianos para demonstrar o ambiente de insatisfação, e não para incentivar qualquer abordagem aos profissionais.
“Não foi ameaça e nunca será. Falei das mensagens que recebi de torcedores revoltados justamente para mostrar o clima que esses erros estão criando, não para incentivar ninguém a nada”, declarou.
O dirigente também afirmou que os árbitros deixaram o estádio sem serem abordados e reiterou que continuará cobrando uma arbitragem justa e transparente para o Corinthians.
A explicação apresentada por Alê constitui sua versão dos acontecimentos, mas não encerra a apuração solicitada pela CBF. Caberá às autoridades avaliar o conteúdo da publicação, suas circunstâncias e a eventual existência de responsabilidade individual ou coletiva.
Grêmio pede que CBF avalie jogos do Corinthians com portões fechados
A repercussão do episódio ultrapassou os limites do Corinthians e chegou a outros clubes do Campeonato Brasileiro. Nesta sexta-feira (30), o Grêmio encaminhou uma manifestação à CBF solicitando providências relacionadas à segurança das equipes de arbitragem.
O documento, assinado pelo vice-presidente de futebol do clube gaúcho, Rafael Lima, demonstra preocupação com possíveis pressões externas sobre os árbitros e sugere medidas como escolta policial, análise das declarações de Alexandre Domênico e encaminhamento do caso às instâncias competentes.
Entre as solicitações, o Grêmio também pediu que fosse avaliada a possibilidade de o Corinthians disputar partidas como mandante com portões fechados, caso a medida seja considerada necessária para preservar a segurança dos profissionais.
Uma cópia da manifestação foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Não houve determinação de partidas com portões fechados nem punição esportiva aplicada ao Corinthians em decorrência desse pedido. Trata-se de uma solicitação apresentada pelo Grêmio, que dependeria da análise das entidades competentes para produzir qualquer consequência prática.
A manifestação do clube gaúcho também não deve ser confundida com a representação criminal apresentada pela CBF. Enquanto a confederação pede a apuração das declarações de Alexandre Domênico e possíveis medidas relacionadas ao dirigente e aos Gaviões da Fiel, o Grêmio levanta a hipótese de providências que poderiam afetar diretamente a presença de público em jogos do Corinthians.
O clube gaúcho também está envolvido na luta contra o rebaixamento. Após vencer o Athletico-PR por 2 a 0, na quinta-feira (29), o Grêmio chegou aos 37 pontos, assumiu a 15ª colocação e ultrapassou o Mirassol, que passou a ocupar o 16º lugar.
Camisa 12 sofre restrição até o fim de 2026 após decisão da FPF
Em um procedimento independente daquele envolvendo os Gaviões da Fiel, a Federação Paulista de Futebol acolheu uma recomendação do Ministério Público de São Paulo e determinou restrições à presença identificada da torcida organizada Camisa 12 nos estádios até o encerramento de 2026.
A decisão consta da Portaria FPF nº 186/26, de 28 de outubro, e impede a entrada de camisetas, faixas, bandeiras, instrumentos musicais e outros materiais que caracterizem a presença institucional da organizada nas praças esportivas.
A medida não impede que todos os associados da Camisa 12 acompanhem individualmente as partidas do Corinthians. Os torcedores poderão ingressar nos estádios, desde que respeitem a proibição de utilizar símbolos, vestimentas e objetos que identifiquem a organização.
A restrição foi motivada por acontecimentos registrados em 16 de setembro, após a eliminação do Corinthians diante do Estudiantes, da Argentina, nas quartas de final da Libertadores.
Segundo o Ministério Público, integrantes da organizada participaram de episódios de intimidação nas proximidades da saída de um dos estacionamentos da Neo Química Arena. A apuração reuniu relatos de abordagens a veículos, constrangimento de ocupantes, chutes contra automóveis e arremesso de objetos, além de menção a um possível disparo de arma de fogo para o alto.
Os promotores Roberto Bacal e Daniela Hashimoto consideraram também que a Camisa 12 havia firmado, em outubro de 2025, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), comprometendo-se a evitar episódios de violência, tumultos, ameaças e outras situações capazes de comprometer a segurança nos eventos esportivos.
A análise incluiu registros audiovisuais e depoimentos de testemunhas. Embora a direção da organizada tenha informado que colaborou com a identificação de envolvidos, o Ministério Público apontou a ausência de esclarecimentos sobre eventuais sanções disciplinares internas aplicadas aos associados.
Com base nesses elementos, a Promotoria recomendou a suspensão administrativa da presença identificada da Camisa 12, medida acolhida pela Federação Paulista de Futebol.
Restrição também alcança instrumentos musicais da Camisa 12
Além das camisetas, bandeiras e faixas, a determinação impede a utilização de instrumentos musicais que identifiquem a Camisa 12 nas arquibancadas.
A medida tem impacto especial porque a organizada havia sido anunciada como uma das participantes da campanha #UmSóCorinthians, lançada pelo clube nesta quinta-feira (29), com a proposta de integrar as baterias e os cânticos de seis torcidas durante o confronto contra o Mirassol.
Com a restrição em vigor, a Camisa 12 não poderá participar da mobilização com sua caracterização habitual. Seus integrantes, entretanto, continuam autorizados a acompanhar o jogo individualmente, respeitando as condições estabelecidas pela portaria.
Até o momento, não foi informada publicamente uma reformulação da dinâmica da campanha em decorrência da decisão da FPF.
Camisa 12 afirma que continuará apoiando o Corinthians
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Camisa 12 confirmou a restrição e informou que respeitará a determinação durante todo o período de vigência.
A organizada afirmou que a impossibilidade de utilizar seus símbolos nas arquibancadas não altera sua história nem diminui seu compromisso com o Corinthians. Também declarou que continuará exercendo seu papel de apoio, fiscalização e cobrança sobre a administração do clube.
A nova restrição representa uma mudança importante em relação ao cenário de outubro de 2025, quando a Federação Paulista de Futebol havia liberado o retorno das torcidas organizadas do Corinthians aos estádios com instrumentos, faixas e bandeiras, depois de um período de seis meses de suspensão.
Naquela ocasião, Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Fiel Macabra e Coringão Chopp voltaram a ter autorização para frequentar os estádios devidamente caracterizadas, conforme as condições estabelecidas pelas autoridades.
Agora, a restrição atinge especificamente a Camisa 12, em razão de acontecimentos distintos daqueles que motivaram a representação da CBF contra Alexandre Domênico.
Fiel reencontra o Corinthians na Neo Química Arena em meio à mobilização das organizadas
A sucessão de acontecimentos acrescenta novos elementos ao ambiente que cerca a Neo Química Arena nesta sexta-feira. A partida contra o Mirassol marcará o reencontro da Fiel com o Corinthians depois da derrota para o Vasco, no Rio de Janeiro, em um momento em que a equipe precisa reagir para evitar o rebaixamento à Série B.
Na tentativa de fortalecer essa conexão, o Corinthians anunciou a campanha #UmSóCorinthians, em parceria com seis torcidas organizadas. A iniciativa reúne Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Fiel Macabra e Coringão Chopp em uma proposta de incentivo coletivo durante os 90 minutos.
A mobilização foi lançada depois de semanas marcadas por cobranças aos jogadores, à comissão técnica e à diretoria. Em 22 de outubro, por exemplo, lideranças dos Gaviões da Fiel estiveram no CT Dr. Joaquim Grava para conversar com o elenco, Clarence Seedorf e dirigentes, em um encontro que combinou manifestações de apoio e cobranças por resultados.
A iniciativa anunciada para esta sexta-feira demonstra que, mesmo diante das críticas à administração e ao desempenho da equipe, as organizadas pretendem concentrar o incentivo aos jogadores durante o confronto. A restrição imposta à Camisa 12 e a representação envolvendo o presidente dos Gaviões da Fiel, entretanto, mostram que essa mobilização também acontece sob a atenção das autoridades.
O momento esportivo ajuda a dimensionar a importância do reencontro. O Corinthians ocupa a 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 33 pontos, quatro atrás do Mirassol, primeiro clube fora da zona de rebaixamento. Uma vitória não será suficiente para retirar o Timão do Z4 nesta rodada, mas reduzirá para apenas um ponto a diferença em relação ao adversário.
Para a Fiel que pretende acompanhar a partida, o InfoTimão preparou um pré-jogo completo de Corinthians x Mirassol, com horário, onde assistir, prováveis escalações, desfalques e arbitragem. A bola rola às 20h, com transmissão de SporTV e Premiere.
Será uma noite em que a torcida voltará a encontrar o time na Casa do Povo, depois de dias marcados por notícias sobre investigações, restrições, cobranças e mobilizações. O Corinthians entrará em campo pressionado pela classificação e pela necessidade de conquistar sua primeira vitória sob o comando de Seedorf, enquanto as autoridades acompanharão os desdobramentos das manifestações relacionadas à arbitragem.
A representação apresentada pela CBF e a restrição à Camisa 12 possuem origens e consequências distintas, mas chegam a um momento particularmente sensível da temporada alvinegra. O reencontro entre a Fiel e o Corinthians acontece, portanto, em meio a cobranças legítimas por resultados, preocupações com a segurança e uma mobilização coletiva para apoiar a equipe.
O InfoTimão seguirá acompanhando a atuação do Ministério Público, da Polícia Civil e das entidades esportivas, além dos desdobramentos envolvendo os Gaviões da Fiel e a Camisa 12, com atenção às decisões das autoridades, à segurança dos envolvidos e aos possíveis impactos sobre o Corinthians.






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