Análise: com 65% de posse de bola, Corinthians cria pouco e expõe problemas contra o Coritiba
- Redação InfoTimão
- há 6 minutos
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A derrota do Corinthians por 2 a 0 para o Coritiba, na Neo Química Arena, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro, deixou mais do que apenas três pontos perdidos. A atuação expôs dificuldades estruturais da equipe, especialmente na criação ofensiva e na organização defensiva.
Mesmo controlando grande parte do jogo e terminando a partida com 65% de posse de bola, o Timão encontrou enorme dificuldade para transformar domínio territorial em chances claras. Ao longo de mais de 100 minutos de partida, o Corinthians conseguiu apenas uma finalização no alvo.
O resultado liga um sinal de alerta no Parque São Jorge, principalmente porque o desempenho foi considerado o mais fraco da equipe em casa nesta temporada. Mas o cenário de dificuldades do Corinthians se repete pelo quarto jogo seguido.
O InfoTimão já detalhou os principais acontecimentos da partida, incluindo a apresentação de Jesse Lingard antes do jogo e a estreia de Zakaria Labyad no segundo tempo.
Nesta análise, destrinchamos os fatores táticos que explicam o desempenho abaixo do esperado do Corinthians.
Números do jogo
Posse de bola: Corinthians 65% - Coritiba 35%
Finalizações: Corinthians 10 - Coritiba 6
Finalizações no alvo: Corinthians 1 - Coritiba 3
Escanteios: Corinthians 7 - Coritiba 3
Resultado: Corinthians 0 x 2 Coritiba
Posse de bola sem profundidade
O principal retrato da partida foi a discrepância entre posse de bola e produção ofensiva.
Nos primeiros 10 a 15 minutos, o Corinthians até apresentou circulação de bola mais intensa e tentou ocupar o campo ofensivo. Porém, com o passar do tempo, o time passou a apresentar:
troca de passes lenta
pouca movimentação no setor ofensivo
dificuldade para infiltrar entre as linhas adversárias
Com isso, o Corinthians passou a dominar territorialmente a partida, mas sem conseguir gerar perigo real.
Grande parte das jogadas terminou em cruzamentos laterais ou passes horizontais, facilitando a defesa do Coritiba.
Corinthians teve domínio territorial, mas ataque foi improdutivo
A formação utilizada pelo auxiliar Lucas Silvestre, substituindo Dorival Júnior suspenso, buscou dar mais controle ao meio-campo.
O time contou com Allan, André, Breno Bidon e Rodrigo Garro na construção das jogadas, além de Memphis Depay com liberdade para circular entre os setores ofensivos.
Em teoria, era uma formação capaz de gerar superioridade técnica no meio-campo.
Na prática, faltou mobilidade.
Sem aproximação constante entre os jogadores ofensivos, o Corinthians teve enorme dificuldade para criar triangulações ou infiltrações pelo corredor central, algo essencial para quebrar um bloco defensivo compacto.
O impacto do bloco baixo do Coritiba
O Coritiba executou uma estratégia clara: defender em bloco baixo e compacto.
Com as linhas próximas e bem organizadas, o time paranaense fechou os espaços próximos à área e obrigou o Corinthians a circular a bola longe do gol.
Sem velocidade na troca de passes e com pouca movimentação ofensiva, o Timão ficou preso na faixa intermediária do campo.
Quando teve espaço para atacar, o Coritiba foi eficiente.
Bola parada e erros defensivos decidiram a partida
O primeiro gol do jogo surgiu em uma situação que já tem preocupado o sistema defensivo corintiano: bola aérea.
Após cobrança de escanteio, Jacy apareceu livre para cabecear e abrir o placar ainda no primeiro tempo.
Logo no início da segunda etapa, o Coritiba ampliou. Após jogada construída pela esquerda, Lucas Ronier apareceu livre na área e marcou o segundo gol.
Além da eficiência adversária, os lances evidenciaram falhas de posicionamento e marcação do Corinthians.
Mudanças não resolveram a falta de criatividade
Diante da desvantagem no placar, Lucas Silvestre promoveu alterações para tentar aumentar o poder ofensivo da equipe.
Entraram Carrillo, Dieguinho, Pedro Raul e Vitinho, aumentando a presença de jogadores no ataque.
Apesar das mudanças, o Corinthians continuou enfrentando os mesmos problemas estruturais:
pouca movimentação ofensiva
dificuldade para quebrar linhas
excesso de cruzamentos
Sem repertório ofensivo, o time ficou ainda mais exposto aos contra-ataques do Coritiba.
Estreia de Zakaria Labyad
A reta final da partida também marcou a estreia de Zakaria Labyad com a camisa do Corinthians.
O meia entrou no lugar de Memphis Depay e fez seus primeiros minutos pelo clube diante da Fiel torcida.
Apesar da expectativa em torno do reforço, o cenário do jogo já era desfavorável e o Corinthians não conseguiu reagir.
Ausência de Yuri Alberto pesa no ataque
Outro fator que ajuda a explicar a queda de rendimento ofensivo do Corinthians é a ausência de Yuri Alberto.
Desde que o atacante se lesionou na coxa esquerda, o time perdeu profundidade e presença na área.
Sem uma referência clara no ataque, o Corinthians passou a ter mais dificuldade para:
ocupar a área adversária
finalizar jogadas
transformar posse de bola em gols
Lucas Silvestre reconhece atuação ruim
Após a partida, o auxiliar Lucas Silvestre admitiu que o desempenho ficou muito abaixo do esperado.
“Contra o Santos vai ser diferente porque pior do que hoje não tem como ser. Tirando esses minutos iniciais, foi um jogo muito ruim. As cobranças vão acontecer e precisamos olhar os erros para fazer as correções.”
A declaração reforça o clima de cobrança interna após uma atuação considerada a pior do Corinthians em casa nesta temporada.
Assista a coletiva do auxiliar técnico do Timão:
Próximo jogo do Corinthians
O Corinthians volta a campo no domingo (15) para enfrentar o Santos, às 16h, na Vila Belmiro, pela sequência do Campeonato Brasileiro.
Após a derrota em casa, o clássico surge como uma oportunidade e também necessidade imediata de reação para a equipe alvinegra.
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